Deflação no IGP-M mostra freio na economia
Queda do IGP-M em 2025 mostra desaquecimento da economia e alívio do câmbio, mas esse cenário pode mudar em 2026
O IGP-M deve fechar dezembro praticamente estável, encerrando 2025 com queda acumulada de 1,05%, o que chama atenção não pelo alívio imediato, mas pelo que revela sobre o caminho da economia brasileira ao longo do ano.
O índice de inflação, tradicionalmente associado a reajustes de aluguéis e contratos, passou do susto inflacionário observado em anos recentes para um cenário de preços em retração, puxado sobretudo pelo comportamento do atacado.
Os dados divulgados pela FGV mostram que a desaceleração veio principalmente dos preços ao produtor, influenciados por commodities mais baratas no mercado internacional e por uma demanda interna menos aquecida.
Produtos agropecuários e industriais registraram quedas importantes ao longo do ano, refletindo tanto a normalização de cadeias globais quanto um ritmo mais contido da atividade econômica doméstica.
No varejo, a história foi diferente. A inflação ao consumidor seguiu positiva, ainda que moderada, sustentada por serviços e itens ligados ao consumo cotidiano.
Isso ajuda a explicar por que o alívio sentido nos índices amplos nem sempre chegou ao bolso das famílias.
O IGP-M, por sua composição, reage mais rápido às oscilações do atacado do que às mudanças no comércio final.
Outro fator decisivo para esses números de inflação foi o câmbio. O real mais firme em boa parte do segundo semestre ajudou a conter custos de importação e reduziu a pressão sobre insumos industriais.
A política monetária restritiva também manteve o crédito mais caro, o que esfriou investimentos e consumo, limitando a capacidade das empresas de repassar custos.
Para 2026, é esperado um cenário menos extremo. A deflação do IGP-M não tende a se repetir com a mesma intensidade, mas o índice deve seguir comportado enquanto não houver choques relevantes de oferta ou demanda.
Para quem negocia contratos atrelados ao indicador, o resultado de 2025 deixa uma marca clara de como o ambiente econômico mudou.
Mas se em 2026 a economia reagir, com os juros caindo, crédito voltando e reaquecendo o consumo, as empresas tendem a recuperar margem e os preços ao produtor podem voltar a subir.
Se houver algum choque externo, como alta de commodities ou dólar mais caro, o índice também reagiria rápido.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)