Crusoé: O diabo na hora da inflação
Governo Lula propõe aumento do consumo e rejeita ajuste fiscal robusto mesmo com cenário desafiador de alta de preços
A ex-presidente Dilma Rousseff considerava, em 2013, que podia “fazer o diabo” no momento da eleição.
O presidente Lula, por sua vez, parece considerar que pode fazer o diabo num momento em que a inflação penaliza os brasileiros e se apresenta como um desafio.
Este é o cenário atual, e o governo federal, além de rejeitar a ideia de promover um ajuste fiscal robusto antes de 2027, vem anunciando uma série de medidas que tendem não a conter o aumento dos preços, mas sim a agravá-lo, e por isso demandam cautela mesmo parecendo positivas à primeira vista.
Entram na lista a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais mensais, o crédito consignado atrelado ao FGTS e a criação da nova faixa do Minha Casa, Minha Vida para famílias com renda mensal de até 12 mil reais.
O projeto de lei para ampliação da faixa de isenção do IR ainda está em discussão na Câmara dos Deputados. A expectativa é que seja aprovado pelo Congresso até o fim de 2025, para começar a valer em 2026.
E por que a medida deve contribuir para a inflação? Por um motivo simples: aumenta a renda disponível das famílias de uma hora para a outra, especialmente daquelas de classes média e média baixa, e com mais disponibilidade monetária, o consumo tende a aumentar, principalmente em bens e serviços de consumo imediato, e, assim, os preços são pressionados para cima.
Além disso, explica o PhD em economia e professor da Escola de Negócios da PUC-Rio Marcelo Klotzle, se a perda de arrecadação do imposto de renda não for compensada com corte de gastos do governo ou aumento de outro tipo de receita, aumenta-se ainda mais o déficit público e, consequentemente, a percepção de risco fiscal.
Com a percepção do risco fiscal elevada, investidores estrangeiros podem…
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