Crusoé: Lula enrola com o Desenrola
Presidente recicla programa para diminuir o endividamento que seu governo incentivou
Lula (à esquerda na foto) relançou nesta semana um programa do início do governo que tinha por objetivo ajudar os brasileiros a lidar com as próprias dívidas.
O Desenrola 2.0, que tem o objetivo de auxiliar 27 milhões de pessoas, é a constatação de que o Desenrola original, lançado em 2023, não funcionou — ou não foi o bastante.
Pior: a nova versão do programa demorou para entrar no ar e gerou reclamações nas redes sociais, por um atraso no entendimento entre os bancos e o Fundo de Garantia de Operações (FGO).
O Nubank, por exemplo, informou aos clientes que seriam disponibilizados “aos poucos” os descontos de 30% a 90% sobre o saldo devedor, com juros de até 1,99% ao mês, prazo de pagamento de até 48 meses e carência de até 35 dias para a primeira parcela, prometidos pelo programa.
Juros
Há uma razão evidente para o recorde de endividamento das famílias brasileiras, que chegou a 80,4% em março.
A taxa básica de juros passou meses em 15% ao ano, no maior patamar da história, graças ao mesmo governo que não controla os próprios gastos e, mais uma vez, estende a mão aos devedores como se tivesse alguma moral para cuidar das dívidas dos outros.
A dívida pública estava em 71,7% do PIB no início do governo Lula, 8,4 pontos percentuais menor do que os 80,1% do PIB registrados em março. Ao fim da gestão petista, a estimativa é de que chegue a até 86%, um aumento de até 14 pontos percentuais.
Está claro que a renegociação dos débitos não será o bastante para livrar as famílias brasileiras dos compromissos que o governo Lula as incentivou a contrair, por meio das famigeradas políticas de incentivo ao consumo por meio do crédito — que, aliás, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central voltou a criticar nesta semana, na ata da reunião que reduziu a Selic para 14,5%.
“O Comitê reafirma a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”, alertou o Copom, numa mensagem que vem sendo repetida…
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