Crusoé: A economia vai bem?
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O Brasil atravessa um raro momento de convergência favorável: o real se valoriza, a inflação mostra sinal de queda e os mercados reagem com otimismo, ainda que riscos externos, como mudanças tarifárias dos EUA, mantenham temores.
A combinação desses fatores parece criar uma janela para já começar a falar na queda de juros no começo de 2026 e consolidar o crescimento da economia.
Nossa Bolsa de Valores, a B3, está na máxima nominal histórica, fazendo alegria de quem apostou na renda variável antes dessa alta.
O câmbio tem recuado consistentemente nas últimas semanas, com o dólar chegando a oscilar 5,27 reais na quarta-feira, 17, patamar que representa uma importante queda depois de raspar em 6,30 em dezembro do ano passado.
Essa descompressão do câmbio alivia pressões sobre preços e dívida externa, ao mesmo tempo em que a inflação, medida pelo IPCA, tem recuado.
Dados recentes mostram inflação anualizada em queda para cerca de 5,1% em agosto, um movimento que afasta, mas não elimina, a necessidade de novos apertos de política monetária.
A conta aqui é simples: inflação e câmbio convergindo para baixo abrem espaço para cortes graduais de juros do Banco Central, comandado por Gabriel Galípolo, sem causar aumento de preços.
Nos EUA, o Fed, Banco Central americano, anunciou um corte de 0,25% na reunião desta quarta-feira. A decisão tende a reduzir a procura por ativos em dólares e a direcionar parte do fluxo de investidores para a renda variável e mercados emergentes, como o Brasil.
Isso deve ajudar ainda mais na queda do dólar e na retomada dos cortes da nossa taxa de juros (Selic) no começo de 2026, favorecendo a agenda econômica do governo Lula.
Duas pesquisas divulgadas na quarta, 17, mostram que a população está menos preocupada com a economia. Na Atlas Intel, 40% dos brasileiros acham que a economia vai melhorar nos próximos doze meses, superando os 37% que acreditam que vai piorar.
Segundo a Genial/Quaest, a fatia dos brasileiros que acham que a economia é o maior problema do país caiu de 35% em fevereiro para 20% em setembro. O tema aparece em quarto lugar na lista de preocupações, após corrupção, criminalidade e enfraquecimento da economia.
Até o tarifaço que Donald Trump impôs aos produtos exportados pelo Brasil causaram menos dano que o esperado, após a divulgação de uma ampla lista de exceções com quase 700 produtos, incluindo suco de laranja, aviões e celulose.
Como consequência, o presidente brasileiro vê seu nome desfrutar de uma recuperação na popularidade e nas pesquisas eleitorais para o ano que vem.
Mas é preciso fazer algumas ressalvas…
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