Correios fecham primeiro trimestre com prejuízo de R$ 3,16 bi
Perdas crescentes pressionam estatal em meio a plano de recuperação financeira; déficit quase dobra em um ano
Os Correios fecharam os três primeiros meses deste ano com um prejuízo de R$ 3,16 bilhões, resultado que representa quase o dobro do registrado no mesmo intervalo de 2025, quando as perdas somaram R$ 1,7 bilhão.
O balanço, divulgado pela própria estatal, aponta queda nas receitas, combinada ao reconhecimento de passivos trabalhistas que haviam sido excluídos de demonstrações anteriores, o que agravou o desempenho financeiro no período.
Provisão judicial e despesas pressionam o resultado
Segundo as demonstrações financeiras da empresa, “o aumento deve-se à reavaliação dos processos judiciais decorrente da evolução de seus andamentos e da atualização dos entendimentos jurisprudenciais, bem como de ajustes na classificação dos riscos e da atualização das estimativas de desembolsos futuros”.
Com o ajuste, o total de contingências judiciais passou de R$ 3,6 bilhões no encerramento de 2025 para R$ 4,66 bilhões em março de 2026.
As despesas financeiras também avançaram de forma expressiva, saltando de R$ 283 milhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 985 milhões no mesmo período deste ano.
Receitas recuam; custos operacionais cedem
A receita bruta totalizou R$ 4,04 bilhões entre janeiro e março de 2026, queda nominal de 2,2% frente aos R$ 4,13 bilhões registrados no mesmo intervalo do ano anterior.
O segmento de encomendas respondeu pela maior retração em volume absoluto, com recuo de 5,5%, para R$ 2,2 bilhões. As postagens internacionais apresentaram a maior variação percentual negativa: –60,3%, para R$ 156 milhões. Em contrapartida, o segmento de mensagens — cartas e documentos — avançou 11,4%, para R$ 1,2 bilhão.
Do lado dos gastos, os custos dos produtos e serviços recuaram 7,6%, de R$ 4,01 bilhões para R$ 3,7 bilhões. As despesas com pessoal cederam 4,1%, resultado atribuído, em parte, ao programa de demissão voluntária adotado em 2024.
Indenizações pagas a clientes por atrasos nas entregas chegaram a R$ 30,5 milhões em março de 2026 — quinze vezes o valor de R$ 2 milhões apurado em igual mês de 2025.
Prejuízo sobre prejuízo
O resultado negativo se soma ao prejuízo de R$ 8,5 bilhões registrado em 2025, o maior da história da empresa.
Sob nova direção desde setembro daquele ano, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União para equacionar passivos e financiar um plano de reestruturação com foco na sustentabilidade financeira de longo prazo.
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