Conflito entre EUA e Irã pressiona juros e bolsas
Mercados operam em modo defensivo após novos ataques dos EUA ao Irã. Petróleo sobe. Veja o reflexo no Brasil
Os mercados voltaram a operar em modo defensivo nesta quinta-feira, depois que novos ataques dos EUA contra instalações iranianas interromperam o alívio temporário visto no início da semana e recolocaram o petróleo no centro das preocupações.
Os futuros do S&P 500 recuavam 0,2% nas primeiras horas do dia, enquanto Nasdaq 100 caía 0,3% e Dow Jones perdia 0,1%, em uma sessão marcada também pela expectativa em torno dos dados de PIB e inflação dos Estados Unidos.
O movimento ganhou força após novas ofensivas militares dos EUA contra alvos iranianos. O petróleo reagiu imediatamente.
O WTI subia 1,8% e superava 90,9 dólares por barril, enquanto o Brent avançava quase 2%, para 96,7 dólares. O mercado continua particularmente sensível a qualquer notícia envolvendo o Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo.
A volatilidade aumentou porque o avanço militar ocorre justamente no momento em que investidores tentavam reconstruir apostas em um acordo diplomático entre Washington e Teerã.
Na quarta-feira, o Dow Jones renovou máximas históricas de fechamento depois que o senador Marco Rubio afirmou que as negociações avançavam.
Donald Trump, porém, endureceu o discurso ao declarar que os Estados Unidos não aceitarão controle iraniano sobre Ormuz, reduzindo parte da confiança em uma solução rápida para o conflito.
A atenção do mercado também se concentra nos dados de inflação americana. O PCE de abril, principal indicador monitorado pelo Federal Reserve, será divulgado ainda hoje.
A projeção aponta alta mensal de 0,5% no índice cheio e de 0,3% no núcleo. Com petróleo novamente perto de 100 dólares, operadores passaram a considerar um cenário de inflação mais persistente e juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos.
Na Europa, o índice Stoxx 600 recuava cerca de 0,5%, pressionado pela alta da energia e pelo risco geopolítico. Na Ásia, o Nikkei caiu 0,47%, o Kospi perdeu 0,53% e o Hang Seng recuou 1,38%. Apenas o CSI 300 chinês conseguiu fechar levemente positivo.
No Brasil, o ambiente externo voltou a pressionar juros e inflação. O IPCA-15 de maio veio no maior nível para o mês em dez anos, impulsionado principalmente por alimentos e energia.
Ao mesmo tempo, o mercado acompanha a defasagem nos combustíveis da Petrobras, estimada em 26% no diesel e 48% na gasolina, considerando o Brent próximo de 98 dólares e o dólar ao redor de 5,02 reais.
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