Começou a fritura de Galípolo?
Os ministros Fernando Haddad, da Fazenda, e Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, reclamaram dos juros
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira, 7, que a taxa básica de juros está “excessivamente restritiva”. A Selic foi mantida em 15% ao ano na reunião de setembro do Copom, comitê chefiado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo (foto), indicado para o cargo por Lula.
“É absolutamente normal numa democracia que a autoridade econômica manifeste sua opinião. Eu tenho dito que, na minha opinião, a taxa de juros está excessivamente restritiva. Isso é um desrespeito ao Banco Central? Não, o BC tem o trabalho dele, eu tenho respeito institucional, independentemente de quem seja o presidente”, disse Haddad em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do Canal Gov.
“O papel da Fazenda é fazer chegar as informações da economia que estamos enxergando”, acrescentou.
“Nossa obrigação, inclusive, é fazer chegar essas informações ao comitê que define a taxa Selic, e nós estamos fazendo o nosso trabalho. A decisão é deles, mas o nosso papel é incrementar o fluxo de informações, para que as decisões sejam as mais técnicas e benéficas possíveis”, completou.
Na véspera, 6, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reclamou dos “juros estratosféricos”, sem citar Galípolo.
“Nada justifica os juros estratosféricos, muito menos o terrorismo fiscal. Quem hoje fala em crise fiscal e cobra corte de gastos deve ser lembrado do que aconteceu no governo em que Armínio Fraga presidiu o BC: a carga tributária subiu de 26% do PIB para 32%, a dívida pública passou de 35% do PIB para 60% e o país sofreu com recorde de juros reais.”
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Aval de Lula
A Folha de S.Paulo publicou na segunda, 6, que o presidente Lula (PT) deve liberar seus auxiliares a subirem o tom das críticas à taxa de juros.
Segundo o jornal, o petista não planeja atacar diretamente Galípolo, indicado por ele, como fazia com Roberto Campos Neto, nomeado para o BC na gestão de Jair Bolsonaro.
Citando um interlocutor, a Folha disse que Lula planejava autorizar o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e os ministros Fernando Haddad, da Fazenda, e Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, a reclamarem da autoridade monetária.
Caso assuma a Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos também deve conseguir essa prerrogativa.
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