China muda estratégia e mexe com juros americanos
Mudança chinesa nos Treasuries eleva volatilidade dos juros americanos e aumenta atenção do mercado ao dólar
Nos últimos dias, mesas de operação em Nova York e Londres passaram a discutir relatos de bastidores segundo os quais autoridades chinesas teriam orientado bancos e gestoras a reduzir a exposição direta a títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Não houve anúncio público, mas a conversa ganhou força porque coincidiu com dados oficiais mostrando queda nas posições registradas em nome da China e maior instabilidade nas taxas longas americanas.
Dados do Tesouro dos Estados Unidos mostram que instituições chinesas diminuíram compras contabilizadas diretamente e passaram a usar intermediários financeiros fora do país.
Esse padrão sugere uma reorganização operacional e diversificação cambial, mas não saída imediata do mercado.
A mudança ocorre enquanto o Tesouro dos EUA aumenta emissões para financiar seus déficits elevados. Quando um credor relevante se torna menos visível, investidores pedem remuneração maior para comprar os novos papéis.
Mesmo assim, bancos e gestoras avaliam que uma grande onda de vendas não faz sentido econômico para Pequim.
A China administra reservas cambiais muito grandes e precisa de ativos líquidos capazes de absorver grandes valores sem perda de preço. Os Treasuries continuam sendo o mercado com maior profundidade nessa escala.
O que parece em curso é uma mudança de estratégia. Autoridades e gestores chineses estariam encurtando o prazo médio das carteiras para reduzir riscos de exposição a juros e distribuindo posições entre diferentes jurisdições.
Na prática, isso significa mudar o país pelo qual a aplicação aparece registrada sem necessariamente vender o ativo. Em vez de comprar títulos do Tesouro americano diretamente a partir de contas na China, bancos e gestoras podem adquiri-los por filiais ou intermediários em centros financeiros como Londres ou Bélgica.
Nas estatísticas dos EUA o papel deixa de aparecer como posição chinesa, embora o dinheiro continue sendo da China, o que diminui o custo político de aparecer como principal financiador externo de Washington e dá mais flexibilidade para administrar câmbio.
Para os operadores, o efeito aparece nos leilões da dívida americana, onde a absorção dos papéis depende mais do setor privado (investidores domésticos americanos, fundos, bancos e poupadores locais) e reage com rapidez a dados de inflação e decisões do Federal Reserve, deixando o dólar e rendimentos mais sensíveis ao noticiário econômico.
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