CGU aponta manobra contábil sobre rombos nos Correios
Ajuste recomendado pela Controladoria-Geral da União pode elevar prejuízo nas contas da estatal em R$ 1 bilhão
A Controladoria-Geral da União (CGU) detectou fragilidades “relevantes” nos controles internos dos Correios (foto). Após uma auditoria, o órgão recomendou ajustes no balanço da estatal de 2023 que podem aumentar o prejuízo nas contas da empresa em cerca de R$ 1 bilhão.
Também foi indicada a necessidade de melhorias nos controles internos relativos ao acompanhamento das ações judiciais e nas práticas de interlocução entre a área jurídica e contábil sobre o tratamento de contencioso jurídico. Antes dessa manifestação da CGU, o Tribunal de Contas da União (TCU) já havia feito uma recomendação neste sentido.
Segundo O Globo, “a auditoria da Controladoria-Geral da União mirou, principalmente, a redução de R$ 1,032 bilhão para R$ 18 em uma provisão (reserva) para fazer frente a processos trabalhistas que questionavam o pagamento de benefícios salariais aos empregados dos Correios.”
“A mudança foi feita em fevereiro de 2024, com reflexo no balanço de 2023, período em que a estatal teve prejuízo de R$ 597 milhões. O argumento da empresa é de que o passivo esperado com as ações trabalhistas poderia ser compensado com um possível ganho da estatal em outro processo correlato”, acrescenta a reportagem.
Plano de reestruturação
Com um rombo bilionário nas contas, os Correios (foto) adiaram a coletiva de imprensa que estava programada para ocorrer na tarde de segunda-feira, 22, com a finalidade de apresentar medidas prioritárias do Plano de Reestruturação 2025-2027. Segundo a empresa, a mudança no cronograma ocorreu por causa de ajustes de agenda.
Na última quinta-feira, 18, o Tesouro Nacional aprovou a concessão de garantia da União ao empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios, depois de avalizar os termos da operação. De acordo com o Tesouro, a proposta de empréstimo “atendeu aos requisitos para análise de capacidade de pagamento para empresas estatais com plano de reequilíbrio aprovado pelas instâncias competentes”. A nota acrescenta que“as minutas contratuais serão negociadas entre as partes envolvidas, sob supervisão da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e do Tesouro Nacional.”
Porém, de acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, fontes da estatal afirmam nos bastidores que o empréstimo ainda não foi formalmente assinado e, com isso, a empresa decidiu adiar a divulgação do plano. Até o momento, não houve anúncio de uma nova data para o detalhamento do plano.
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