Cartórios comunicam a todos os herdeiros que receberam imóveis, contas ou veículos nos últimos meses
Veja como funciona o inventário em cartório, quais documentos são necessários e por que o acordo entre os herdeiros faz toda a diferença
O inventário em cartório pode regularizar a herança com mais rapidez, permitindo desbloquear valores e transferir bens sem um processo judicial prolongado. Para que a solução preserve o acordo familiar, todos precisam conhecer o patrimônio, as dívidas, os custos e a divisão proposta.
Quando o inventário em cartório pode ser escolhido?
A via extrajudicial é realizada por escritura pública em um tabelionato de notas e exige assistência de advogado ou defensor público. Os interessados podem contratar o mesmo profissional quando estiverem de acordo, embora cada herdeiro possa buscar orientação própria antes de assinar.
O consenso precisa alcançar a identificação dos sucessores, o reconhecimento do cônjuge ou companheiro sobrevivente, a relação dos bens e a forma de partilha. Havendo disputa sobre filiação, união estável, propriedade ou divisão do patrimônio, a solução pode depender da via judicial.
Como organizar a herança sem criar uma disputa familiar?
Antes de decidir quem ficará com cada bem, a família deve elaborar um levantamento completo. Omissões descobertas depois da escritura podem exigir sobrepartilha e aumentar custos, atrasos e desconfianças.
O inventário deve reunir, entre outros elementos:
Informações necessárias para organizar o inventário de bens e dívidas
O levantamento deve reunir patrimônio, valores, obrigações e documentos para permitir a identificação completa do espólio e facilitar a divisão entre os herdeiros.
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01
Imóveis e direitos contratuais relacionados ao patrimônio
Devem ser identificados imóveis, terrenos, direitos sobre contratos de compra e venda e financiamentos ainda em andamento.
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02
Veículos e bens registrados em nome da pessoa falecida
Automóveis, motocicletas, embarcações e outros bens sujeitos a registro precisam constar no levantamento patrimonial.
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03
Valores e participações financeiras existentes
Contas bancárias, investimentos, créditos a receber e participações em empresas devem ser localizados e devidamente comprovados.
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04
Dívidas e obrigações pendentes do espólio
Empréstimos, tributos, despesas funerárias e outras cobranças devem ser apurados antes da definição do patrimônio líquido a ser dividido.
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05
Documentos e comprovantes de identificação e propriedade
Certidões, documentos pessoais, contratos, escrituras e comprovantes ajudam a confirmar a titularidade dos bens e a situação das obrigações.
Uma planilha com valores atualizados ajuda a comparar os quinhões. Um herdeiro pode receber o imóvel enquanto outro fica com dinheiro ou veículo, desde que a divisão respeite os direitos de todos e sejam avaliados os possíveis efeitos tributários de uma partilha desigual.
Como desbloquear contas e transferir imóveis e veículos?
Os herdeiros podem nomear um inventariante por escritura pública antes mesmo da partilha. Essa pessoa passa a representar o espólio na busca de informações bancárias e fiscais, no cumprimento de obrigações e no levantamento de recursos destinados às despesas do procedimento.
Após o recolhimento dos tributos e a assinatura da escritura, o documento permite materializar as transferências. Cada bem, porém, exige uma providência própria:
- Imóveis devem ser registrados no Cartório de Registro de Imóveis competente.
- Veículos precisam ser transferidos perante o órgão de trânsito.
- Valores e investimentos devem ser liberados pela instituição financeira.
- Participações empresariais exigem atualização nos registros correspondentes.
A escritura sozinha não altera automaticamente a matrícula do imóvel nem o cadastro do veículo. Os herdeiros precisam apresentá-la aos órgãos responsáveis e cumprir exigências como taxas, formulários e atualização cadastral.
O que muda quando existe testamento ou herdeiro incapaz?
A existência de testamento não impede obrigatoriamente o inventário em cartório. É possível seguir pela via extrajudicial quando houver autorização expressa do juízo responsável pela abertura e pelo cumprimento do testamento, decisão definitiva, assistência jurídica e concordância dos interessados.
Se o testamento trouxer reconhecimento de filho ou outra declaração irrevogável, o caso deverá seguir judicialmente. Dúvidas sobre a validade ou a eficácia das disposições também podem impedir a lavratura da escritura.
Herdeiros menores ou incapazes podem participar em condições específicas. O quinhão deve ser atribuído como parte ideal em cada bem, sem venda ou renúncia de seus direitos, e a escritura depende de manifestação favorável do Ministério Público.

Quais cuidados evitam atrasos, gastos e novos conflitos?
O imposto sobre herança, conhecido como ITCMD, segue regras estaduais, por isso alíquotas, avaliações, prazos e multas variam conforme o local. Também existem custos com escritura, registros, transferências e honorários, que devem ser apresentados à família antes da divisão.
Quando não há dinheiro disponível para essas despesas, as regras permitem, em determinadas condições, autorizar o inventariante a vender um bem do espólio para custear tributos, honorários e emolumentos. A operação exige garantias, detalhamento dos valores e não pode prejudicar interessado menor ou incapaz.
Guardar comprovantes, registrar as decisões por escrito e evitar retiradas informais das contas protege todos os envolvidos. Com transparência sobre valores, dívidas e expectativas, o inventário em cartório deixa de ser apenas uma formalidade e se torna o caminho para liberar o patrimônio sem romper os vínculos familiares.
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