Canadá promete resposta firme a tarifas dos EUA
Primeiro-ministro Mark Carney diz que país usará todos os recursos disponíveis diante de nova ameaça comercial de Trump
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou nesta quinta-feira, 23, que seu governo está disposto a adotar qualquer medida necessária para proteger trabalhadores, agricultores e empresas do país em meio ao agravamento da disputa comercial com os Estados Unidos.
Segundo Carney, o país reforça sua estratégia diante de Washington: “Estamos intensificando nossas negociações comerciais com os Estados Unidos e não hesitaremos em defender nossos interesses, se for necessário”.
O premiê classificou a ofensiva tarifária anunciada por Trump na segunda-feira, 20, como injustificada: “O Canadá fará tudo o que for necessário para defender e apoiar os trabalhadores, agricultores, empresas e famílias canadenses”.
A declaração foi feita durante reunião com governadores provinciais, dias depois de o presidente americano Donald Trump ameaçar aplicar tarifas de 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos canadenses.
Negociações intensificadas
As dez províncias canadenses não têm posição unificada sobre como reagir à pressão americana. Alberta e Saskatchewan, que exportam petróleo bruto e potássio aos Estados Unidos, descartaram restrições às exportações ou tarifas retaliatórias.
Washington, por sua vez, acusa o Canadá de práticas comerciais desleais. O governo americano cita a suspensão da compra de bebidas alcoólicas dos EUA por parte de províncias, tarifas sobre veículos americanos e barreiras à entrada de queijos do país.
Comércio bilateral em risco
A ameaça tarifária pode reacender uma disputa comercial global que havia perdido força após decisão da Suprema Corte dos EUA, em fevereiro, que derrubou tarifas emergenciais do governo Trump. O Canadá é o segundo maior parceiro comercial americano, com fluxo bilateral de US$ 716 bilhões no último ano.
As novas tarifas devem entrar em vigor em 30 dias, com isenções para energia, potássio, minerais críticos, pescados e produtos já sujeitos a tarifas de segurança nacional dos EUA, como aço e alumínio.
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