BRB desiste de vender R$ 15 bi em ativos do Master
Banco estatal assume sozinho a tarefa de recolocar no mercado créditos herdados das operações com o banco de Daniel Vorcaro
O Banco de Brasília (BRB) interrompeu, em comum acordo com a gestora Quadra Capital, as tratativas para criar um fundo destinado a absorver até R$ 15 bilhões em ativos vinculados ao Banco Master.
Segundo comunicado divulgado pelo BRB, as conversas “foram encerradas, de forma consensual, após o término do período de negociações previsto entre as partes”.
A nota acrescenta que a interrupção decorreu de “divergências em relação aos parâmetros econômicos e financeiros considerados adequados pelo Banco para a operação”.
Negociação começou em abril
O projeto havia sido anunciado em abril, com o objetivo de fortalecer o capital do banco, melhorar sua liquidez e reorganizar a carteira de investimentos. A modelagem previa que parte dos R$ 15 bilhões fosse paga à vista e o restante convertido em cotas de um fundo criado especialmente para administrar e converter em receita esses créditos ligados ao Master.
Com o fim do acordo, o BRB informou que vai conduzir diretamente o processo de recolocação dos ativos no mercado.
A instituição classificou a medida como parte de uma “estratégia que reforça sua atuação prudente, seu compromisso com a geração de valor e a defesa dos interesses de seus acionistas, clientes e demais públicos de relacionamento”.
O banco também garantiu manter “adequada posição de liquidez e plena capacidade operacional”.
Rombo bilionário motivou negociação
O episódio se insere numa crise que atinge o BRB desde a descoberta de irregularidades em operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões. O próprio banco estima que R$ 8,8 bilhões desses créditos comprados do Master correspondem a títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação.
O Governo do Distrito Federal, controlador do BRB, calcula recuperar R$ 2,2 bilhões por meio de outras medidas, mas depende de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para cobrir o restante do rombo. A lei que autoriza esse financiamento, resultado de acordo firmado no Supremo Tribunal Federal, foi sancionada em 24 de junho de 2026.
A crise ganhou desdobramento criminal em novembro de 2025, quando a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero para apurar suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo parte dessas transações.
Em abril deste ano, uma nova fase das investigações resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, acusado de autorizar negócios com o Master sem lastro e sem observar práticas adequadas de governança.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)