Brasil perde terreno em renda per capita desde 1980
Levantamento mostra que país cresceu menos que a média mundial e caiu no ranking latino-americano de riqueza
O Brasil viu sua renda por habitante crescer em ritmo inferior ao da economia global nas últimas quatro décadas, ficando atrás de nações que partiram de patamares parecidos, como Coreia do Sul e Polônia.
Segundo dados do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), enquanto o PIB per capita mundial subiu 675% entre 1980 e 2025, o brasileiro avançou apenas 428% no mesmo intervalo, movimento que fez o país cair da terceira para a nona colocação entre os mais ricos da América Latina.
Trajetórias distintas
Há quatro décadas, os três países citados tinham níveis de renda por habitante próximos: cerca de US$ 2.350 no Brasil, US$ 2.400 na Coreia do Sul e US$ 1.400 na Polônia. O cenário mudou de forma significativa desde então.
Atualmente, o PIB per capita brasileiro está em US$ 10.750, enquanto o sul-coreano é três vezes superior e o polonês, duas vezes maior, de acordo com os números do Banco Mundial citados no levantamento.
O professor Luciano Nakabashi, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, atribui o desempenho da Coreia do Sul a um conjunto de fatores concentrados em poupança e abertura externa. O país asiático “teve um grande processo de poupança alta que estimulou o investimento em capital físico, investimento em capital humano, abertura de mercado e integração com a economia mundial”.
Mercado interno x competitividade global
Nakabashi afirmou ao Jornal da USP que o Brasil seguiu caminho diferente ao priorizar “uma indústria muito voltada para o mercado interno. Não foi uma indústria voltada para o mercado internacional, para se tornar de fato competitiva”.
O baixo investimento em capital humano também é citado como fator relevante para explicar a diferença de desempenho entre os países. Segundo o economista, há uma “baixa priorização do investimento em capital humano”, refletida na qualidade da educação e na desigualdade de acesso a oportunidades no país.
Caminhos apontados para reverter o quadro
Para o especialista, a recuperação da competitividade brasileira depende de medidas de longo prazo. Ele cita como prioridades a melhoria da qualidade do ensino, o suporte a famílias em situação de vulnerabilidade, a redução da burocracia e a criação de um ambiente mais propício a investimentos.
“O primeiro ponto é dar mais oportunidade para a população de uma forma geral, como melhorar a qualidade da escola”.
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