Brasil negocia solução para tarifas impostas por Washington
Ministro brasileiro descarta tratado amplo imediato e aposta em entendimentos graduais sobre temas convergentes
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira, 20, que a reunião realizada na véspera com o representante de Comércio americano, Jamieson Greer, abriu caminho para um entendimento bilateral construído de forma gradual, tema a tema, sem a necessidade de um tratado comercial único e abrangente.
Segundo o ministro brasileiro, “a reunião foi excelente. Estamos caminhando para um acordo, que não precisa ser abrangente, pode ser parcial e progressivo, em tópicos”.
Do lado americano, Greer publicou nas redes sociais, na noite de terça-feira, uma avaliação positiva do encontro: “Saúdo o engajamento construtivo do Brasil para progredir em questões comerciais e aguardo com expectativa discussões contínuas”.
Negociação por etapas
A estratégia adotada pelas equipes dos dois países é concentrar as conversas em pontos de interesse comum, deixando de lado, por ora, setores sensíveis onde não há convergência.
De acordo com informações do ministério brasileiro, o comércio de etanol é um dos temas que permanecerá fora da pauta inicial, justamente por envolver divergências entre as partes. O modelo escolhido permite selar acordos pontuais sem que impasses em outras áreas travem o avanço das negociações.
Um dos exemplos mais concretos dessa abordagem envolve equipamentos utilizados na área da saúde. Segundo membros do Executivo brasileiro, o governo americano tem interesse em exportar esses produtos, enquanto o Brasil busca adquiri-los por valores mais competitivos — uma base de interesse mútuo que pode gerar os primeiros resultados tangíveis do processo.
Contexto e próximos passos
A reunião entre Rosa e Greer, realizada por videoconferência, aconteceu após o encontro presencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump, no dia 7. Na ocasião, Lula orientou o ministro a buscar compromissos formais da parte americana. Rosa, no entanto, indicou que os pedidos brasileiros ainda não foram formalmente apresentados ao lado americano.
A expectativa de autoridades brasileiras envolvidas nas tratativas é que novas rodadas de negociação ocorram ao longo das próximas semanas.
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