Brasil lidera otimismo sobre IA no trabalho na América Latina
Pesquisa do ADP Research ouviu 38 mil profissionais e aponta 26% de brasileiros vendo efeito positivo da inteligência artificial nas tarefas, com 10% relatando preocupação com substituição
O Brasil é o país mais otimista da região sobre o impacto da inteligência artificial no trabalho, mostra levantamento do ADP Research, centro de pesquisa da ADP, multinacional de soluções de recursos humanos.
A pesquisa, realizada entre julho e agosto de 2025, ouviu 38 mil trabalhadores no mundo, dos quais 5.860 na América Latina e 1.127 no Brasil.
Segundo o relatório, 26% dos brasileiros avaliam que a IA terá efeito positivo em suas tarefas, acima da média latino-americana de 19%. Os dados foram publicados pelo jornal Valor Econômico.
O estudo indica que o entusiasmo convive com cautela. De acordo com o ADP Research, 10% dos entrevistados no Brasil dizem nutrir preocupação com a possibilidade de substituição do trabalho pela tecnologia. Essa percepção afeta a dinâmica de retenção.
Entre os que temem ser substituídos, 30% buscam outro emprego ativamente. A proporção cai para 16% entre quem não manifesta receio em relação à empregabilidade.
A composição da amostra brasileira ajuda a dimensionar os achados. Entre os 1.127 ouvidos no país, 32% ocupam posições de alta liderança, segundo o ADP Research.
Para a vice-presidente para a América Latina da ADP, Mariane Guerra, os números oferecem pistas para políticas de gestão em ciclos de transformação tecnológica.
As diferenças por idade também são nítidas. Entre os profissionais de 18 a 26 anos, 30% veem impacto positivo da IA no trabalho. Na faixa de 27 a 39 anos, o índice fica em 28%. O percentual recua para 23% entre trabalhadores de 40 a 54 anos e chega a 20% no grupo com mais de 55 anos.
Há ainda recortes setoriais na América Latina. Tecnologia é o segmento mais confiante (26,35%), seguido de finanças (23,2%). Esses dois setores, porém, também registram índices elevados de receio de substituição de postos, com 13% em tecnologia e 23,7% em finanças.
O levantamento mostra que a adoção da IA avança junto com alertas sobre seus efeitos na empregabilidade. Para o ADP Research, a leitura combinada de otimismo e medo é um insumo para decisões de recursos humanos.
A recomendação é explicitar como a IA será integrada ao dia a dia e oferecer treinamentos que preparem as equipes para novas rotinas.
Segundo Mariane Guerra, iniciativas de gestão e comunicação claras reduzem a rotatividade e preservam talentos em meio à implementação de ferramentas de IA.
Os dados regionais reforçam que o Brasil puxa a expectativa positiva, mas não eliminam incertezas sobre reorganização de tarefas e funções.
O relatório indica que o desenho de planos de carreira e de qualificação será determinante para transformar a percepção favorável em ganhos de produtividade, especialmente entre os profissionais mais jovens e nos setores que lideram a adoção.
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