BC quer levar Pix para o exterior e modo offline
Ideia é conectar sistema a plataformas de pagamento instantâneo de outros países e criar função sem internet
O Banco Central do Brasil pretende dar início a uma fase de expansão internacional do Pix, permitindo que remessas do exterior sejam convertidas e disponibilizadas em moeda local de forma mais ágil.
A informação consta do relatório de gestão divulgado pela autarquia nesta segunda-feira, 10, documento que também traz números recordes do sistema em 2025, com quase 80 bilhões de transações realizadas ao longo do ano.
Conexão com outros países
De acordo com o BC, a instituição já monitora modelos de operações transfronteiriças que possibilitam a usuários brasileiros usar o Pix fora do país por meio de bancos estrangeiros. O órgão avalia agora ir além desse acompanhamento.
“Além do monitoramento desses modelos, o BC avalia a interligação do Pix com sistemas de pagamentos instantâneos de outras jurisdições”, diz o relatório. Segundo o texto, tanto acordos bilaterais entre países quanto a adesão a redes multilaterais estão sendo analisados, ainda sem definição sobre o formato final.
De acordo com informações da DW, o documento aponta que essa integração tenderia a baratear tarifas e agilizar remessas internacionais, além de ampliar o acesso a esse tipo de serviço. O relatório também menciona que o funcionamento do Pix no mercado externo esteve entre os argumentos usados pelos Estados Unidos para elevar tarifas comerciais contra o Brasil.
Outra frente em estudo é a viabilização de pagamentos sem acesso à internet, usando tecnologia de aproximação NFC. Segundo o BC, a ideia é que transações possam ser feitas não apenas por celular, mas também por cartões físicos, tags e acessórios como relógios e pulseiras.
Volume de transações bate recorde
O relatório mostra que o Pix somou cerca de 80 bilhões de operações em 2025, alta de 25,7% em relação ao ano anterior. O montante financeiro movimentado ultrapassou R$ 35 trilhões, crescimento de 33,8% no período. O maior volume em um único dia ocorreu em 19 de dezembro de 2025, quando R$ 193,47 bilhões foram transacionados.
O número de usuários aumentou: em dezembro de 2025, 148 milhões de pessoas físicas e 12 milhões de empresas haviam feito ao menos uma transação pelo sistema, total equivalente a 86% da população adulta do país. Havia, na mesma data, mais de 920 milhões de chaves cadastradas.
O uso do Pix também mudou de perfil desde a criação da ferramenta, em 2020, quando transferências entre pessoas físicas respondiam por 85% das operações. Atualmente, o maior volume financeiro concentra-se em transações entre empresas.
Por fim, o BC informou que trabalha em melhorias na área de segurança, incluindo critérios para identificação de fraudes, criação de um indicador de risco, aperfeiçoamento nos mecanismos de bloqueio preventivo de valores e alertas automáticos aos usuários sobre possíveis golpes.
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