Banco de Edir Macedo deve receber aporte de R$ 7 bi
Com carteira de crédito deteriorada e auditoria com ressalvas, Digimais depende do FGC para evitar insolvência antes de compra pelo BTG
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) negocia um aporte de cerca de R$ 7 bilhões ao Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, antes de o BTG Pactual, de André Esteves, concluir a compra do controle da instituição.
O BTG anunciou na quarta-feira, 8, o início das conversas para a aquisição. A operação depende de aprovações regulatórias e de definições ainda em curso entre o banco e o fundo.
Risco de insolvência?
Segundo fontes de mercado, o Digimais acumula problemas na carteira de crédito há algum tempo. Um advogado ligado às tratativas, que pediu anonimato, afirmou que, sem aportes, a instituição corre risco de insolvência: “O Digimais tem experimentado há algum tempo problemas na carteira de crédito. Com uma dimensão grande e sem aportes, isso pode levar o banco à insolvência”.
O balanço do segundo semestre de 2025 acendeu alertas entre analistas. A auditoria externa registrou ressalvas sobre R$ 4,2 bilhões em ativos aplicados em fundos de investimento, imobiliários e de participações.
Desse total, R$ 3,1 bilhões estavam em fundos sem demonstrações financeiras auditadas ou com auditoria realizada há mais de seis meses. O documento afirma: “Não foi possível avaliar a razoabilidade ou potenciais ajustes decorrentes dos efeitos das avaliações”.
Na quinta-feira, 26 de março, a agência Fitch rebaixou a nota do banco em dois níveis — de BBB para BB+, classificação considerada especulativa.
Papel do FGC e estrutura da operação
Uma fonte interna do FGC confirmou que há discussões em andamento, mas ressaltou o estágio inicial das tratativas: “Há muita água para rolar e muita conta para fazer. Às vezes a turma enxerga o FGC como instituição de caridade, só que não é assim que funciona”, declarou a fonte, em anonimato.
O advogado consultado explicou que o fundo pode atuar além da garantia de até R$ 250 mil por aplicação em caso de liquidação: “O FGC pode realizar operações de suporte, como a compra de carteiras de crédito, dando liquidez às instituições que têm problemas”, disse, citando atuação semelhante entre 2010 e 2011, quando bancos de médio porte enfrentaram dificuldades de captação.
Quem quer dinheiro?
O Digimais já passou por ao menos duas tentativas frustradas de troca de controle. Em janeiro de 2025, Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, anunciou a compra da instituição, negócio abandonado meses depois. Vorcaro está preso por suspeitas de crime financeiro, e o Master foi liquidado em novembro de 2025.
A crise gerada pelas liquidações do conglomerado Master, do Will Bank e do Banco Pleno causou um rombo estimado em R$ 50 bilhões no FGC, o que torna o contexto do eventual aporte ao Digimais ainda mais sensível para o fundo.
Procurados, nem o Digimais nem o BTG se manifestaram até o fechamento da nota.
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