Agro paulista supera US$ 900 milhões em negócios com a Índia
Açúcar e algodão puxam expansão das exportações do estado para o mercado asiático; crescimento no setor cotonicultores chega a 160% em um ano
O agronegócio do estado de São Paulo movimentou US$ 906,5 milhões em transações com a Índia em 2025, segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado (SAA). O volume total chegou a 2 milhões de toneladas, consolidando o país asiático como o quarto maior parceiro comercial do agro paulista no mundo e o segundo na Ásia, atrás apenas da China.
O complexo sucroalcooleiro respondeu por 76,8% do valor exportado, somando US$ 696 milhões. O óleo de soja ficou em segundo lugar, com US$ 89 milhões, seguido por produtos da indústria química de origem vegetal, que registraram US$ 33 milhões em negócios.
Algodão registra expansão expressiva
O algodão foi o produto com maior variação positiva entre os itens exportados ao mercado indiano. Em um intervalo de 12 meses, o volume saiu de 5 mil toneladas para 15 mil toneladas — um aumento de 160%. O desempenho reflete tanto o posicionamento produtivo do estado quanto a demanda da indústria têxtil indiana por matéria-prima de qualidade.
Peter H. Burdzik,CEO da VALIA Brazil, empresa de comércio internacional de commodities, disse que “nos últimos anos, a produção paulista se consolidou como um fornecedor confiável para diferentes mercados. Ao mesmo tempo, é um mercado que muda rápido, então preço e questões geopolíticas acabam influenciando diretamente o ritmo das exportações”.
Marcella Wehrle, diretora executiva da Associação Paulista dos Produtores de Algodão (APPA), atribuiu parte do resultado ao nível técnico dos produtores: “O conhecimento técnico dos produtores paulistas fortalece a competitividade e a sustentabilidade da cotonicultura. Esse conjunto posiciona o algodão paulista como referência em excelência no Brasil. Essas características tornam o algodão paulista altamente competitivo e valorizado pela indústria têxtil”, afirmou.
Cooperação técnica e inovação na agenda bilateral
Em setembro de 2025, pesquisadores e gestores da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) viajaram a Nova Délhi para participar do Brazil-India Agri Innovation Day. O evento reuniu representantes dos dois países para debater parcerias em pesquisa agrícola e aproximar startups brasileiras e indianas.
Carlos Nabil Ghobril, diretor da APTA, descreveu o objetivo da missão: “A Índia detém cerca de 11% da produção mundial de alimentos, com uma população que já ultrapassa 1,4 bilhão de habitantes. Eles têm um compromisso muito grande com a agricultura para alimentar toda essa população e o propósito principal da missão é aproximarmos as startups brasileiras e indianas para poderem trabalhar em conjunto e desenvolver soluções para os dois países”.
O intercâmbio envolve as sete Instituições de Ciência e Tecnologia ligadas à APTA e institutos indianos. A iniciativa integra o APTAHub, plataforma de inovação do agronegócio paulista.
Sergio Tutui, líder de inovação da APTA, situou o contexto: “A Índia é o quarto maior mercado de startups do mundo, com um ecossistema maduro, consolidado e vibrante. O intuito é fortalecer o APTAHub como um dos principais hubs de inovação do agro do Brasil, ampliando as possibilidades de consolidação e expansão dessas empresas nascentes de base tecnológica (deep techs) e alto valor agregado, gerando empregos qualificados e arrecadação ao estado”.
O comércio bilateral entre Brasil e Índia totalizou US$ 15,21 bilhões em 2025, segundo dados citados pelo cônsul-geral da Índia no Brasil, Hansraj Singh Verma. A agricultura, de acordo com ele, é a base dessa relação: “A excelência do agronegócio paulista reflete a profundidade e a complementaridade do comércio bilateral Índia-Brasil, que atingiu US$ 15,21 bilhões em 2025, com a agricultura sendo a base dessa relação e o principal motor de crescimento futuro, enquanto o estado de São Paulo se torna um exemplo claro desse potencial”, disse Verma.
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