Acordo de R$ 600 milhões do Banco do Brasil na mira do TCU

26.10.2026

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Acordo de R$ 600 milhões do Banco do Brasil entra na mira do TCU
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Wilson Lima
3 minutos de leitura 24.06.2024 14:33 comentários
Economia

Acordo de R$ 600 milhões do Banco do Brasil entra na mira do TCU

O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Furtado, ingressou com um pedido de investigação sobre acordo do BB

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Wilson Lima
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Acordo de R$ 600 milhões do Banco do Brasil entra na mira do TCU
Foto: Banco do Brasil/Divulgação

O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, Lucas Furtado, ingressou nesta segunda-feira, 24, com uma representação pedindo investigação sobre indícios de irregularidades no acordo de R$ 600 milhões firmado pelo Banco do Brasil no ano passado revelado com exclusividade por Crusoé na sexta-feira última, 21.

Como revelou a Crusoé, a estatal topou pagar uma multa multimilionária a um conglomerado de empresas – Aimar Agroindustrial e Coopergraças – que tinham, até recentemente, a participação acionária do ex-ministro de Minas e Energia dos governos Lula e Dilma, Edison Lobão. E isso depois que o banco levou um calote do conglomerado, ainda nos anos de 1990. A negociação foi criticada por ex-diretores do banco por ter sido assinada às pressas em 2023.

Na representação, o subprocurador afirma que “a celebração de um acordo envolvendo recursos públicos desta magnitude sem a adequada motivação possui elevado potencial de ferir o princípio da moralidade administrativa e que a situação merece a atenção deste TCU”.

“O princípio da moralidade administrativa não tem valor meramente estético. Se, erigido à norma de estatura constitucional, deve orientar concretamente inclusive a conduta do legislador, quanto mais a dos administradores e servidores públicos”, disse Furtado, na representação.

“Cumpre a este Tribunal realizar ações para garantir que o acordo firmado entre o Banco do Brasil (BB) e o Grupo Caiman, no valor de R$ 600 milhões, tenha obedecido aos princípios constitucionais aplicáveis a qualquer ato administrativo envolvendo recursos públicos, haja vista tratar-se de matéria inserida no âmbito da sua competência constitucional de fiscalização”, complementou o subprocurador.

Duas empresas e um só acordo?

Conforme revelou Crusoé, apesar do envolvimento de duas empresas distintas, o setor jurídico do Banco do Brasil deu aval para que a indenização multimilionária fosse paga a apenas umas das empresas envolvidas para que a outra envolvida fugisse de eventuais confiscos judiciais.

Parecer confidencial do próprio Banco do Brasil obtido pela reportagem apontava o risco de a transação, tal como desenhada, ser vista como uma simulação jurídica para evitar o pagamento de débitos fiscais, débitos trabalhistas e até honorários advocatícios, permitindo que o dinheiro fosse todo embolsado por apenas uma das beneficiárias.

O banco negou quaisquer irregularidades e argumentou que o acordo tinha como objetivo recuperar R$ 1,2 bilhão que estava empenhado em virtude desse processo.

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Wilson Lima

Wilson Lima é jornalista formado pela Universidade Federal do Maranhão. Trabalhou em veículos como Agência Estado, Portal iG, Congresso em Foco, Gazeta do Povo e IstoÉ. Acompanha o poder em Brasília desde 2012, tendo participado das coberturas do julgamento do mensalão, da operação Lava Jato e do impeachment de Dilma Rousseff. Em 2019, revelou a compra de lagostas por ministros do STF.

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