Van Gogh de acervo privado vai a leilão por US$ 180 milhões
Tela pintada em 1890, meses antes da morte do artista, integra lote de 12 obras que a Sotheby's vende em Nova York
Uma pintura de Vincent van Gogh mantida por mais de 50 anos em coleção particular será vendida pela casa Sotheby’s, em Nova York, com preço estimado em US$ 180 milhões, cerca de R$ 1 bilhão.
“Châtaigniers en fleurs” (“Castanheiros em flor”) foi executada em maio de 1890 e faz parte de um conjunto de 12 trabalhos impressionistas e modernos avaliado em mais de US$ 450 milhões, segundo o jornal britânico The Guardian.
Obra feita em Auvers-sur-Oise
O artista holandês pintou a tela pouco depois de chegar a Auvers-sur-Oise, cidade francesa onde viveria seus últimos dias. Ele morreu em julho de 1890, algumas semanas após concluir o trabalho.
Van Gogh realizou ao menos quatro grandes telas com castanheiros no local, em fase descrita como de otimismo e energia, posterior à saída do hospital psiquiátrico de Saint-Rémy-de-Provence.
A maior parte das pinturas feitas nesse período integra hoje acervos de grandes museus internacionais. “Châtaigniers en fleurs” é uma das oito obras de Auvers que seguem em mãos privadas.
Trajetória da coleção
Após a morte de Van Gogh, a tela passou ao irmão dele, Theo. Mais tarde, pertenceu a George Gard “Buddy” DeSylva, compositor e produtor de cinema americano, um dos fundadores da Capitol Records. Em seguida, integrou o acervo da argentina Nelly Arrieta de Blaquier, morta em 2020.
A coleção Blaquier-Arrieta permaneceu fora da vista do público durante décadas e chegou a ser comparada, em valor, às obras do Musée d’Orsay, em Paris.
Para Philip Hook, ex-diretor de arte impressionista e moderna da Sotheby’s, o acervo é uma das últimas grandes coleções privadas do gênero, formada quando obras importantes ainda estavam ao alcance de colecionadores.
“Durante décadas, a coleção Blaquier-Arrieta foi uma lenda: comentava-se sobre ela, mas permanecia fora da vista do público, até alcançar um status quase mítico no mundo da arte”, afirmou Hook ao jornal britânico.
Outros nomes no lote
O leilão também inclui “Harlequin”, de Paul Cézanne, pintada no fim do século XIX e avaliada em US$ 150 milhões. Completam o conjunto trabalhos de Camille Pissarro, Pierre-Auguste Renoir, Edgar Degas, Claude Monet, Paul Gauguin, Alfred Sisley, André Derain, Henri de Toulouse-Lautrec e Maurice de Vlaminck.
Antes da venda, as obras serão expostas em quatro cidades. A mostra começou nesta quarta-feira, 30, na sede da Sotheby’s em Londres, onde as peças ficam por dois dias. Depois, o conjunto segue para Taipei, Hong Kong e Paris.
Simon Shaw, consultor sênior de arte da Sotheby’s, comparou a coleção a uma instituição de menor porte.
“É como um pequeno museu, um Musée d’Orsay em miniatura, que agora abre suas portas pela primeira vez”, afirmou.
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