Raul Seixas vira motivo de disputa entre PSOL e prefeitura de SP
Tributo ao cantor e compositor baiano, que ocorre anualmente, é motivo de divergência política entre psolistas e prefeito Ricardo Nunes
A 36ª edição da passeata em tributo a Raul Seixas, agendada para 21 de agosto em São Paulo, está sob ameaça de não ter recursos ou palco para os shows programados. O motivo é uma divergência política entre parlamentares do PSOL e a prefeitura paulistana, que mantém uma emenda de R$ 150 mil, proposta pelo vereador Celso Giannazi (PSOL), retida na Casa Civil. O evento anual, que homenageia o cantor falecido em 1989, e que completaria 80 anos em 2025, tradicionalmente percorre o trajeto das escadarias do Theatro Municipal até a Praça da Sé.
Impasse na liberação de recursos
A celebração ocorre desde 1990 e conta com apoio de uma lei municipal de 2007, de autoria do então vereador e atual deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL), irmão de Celso. Para a edição deste ano, os organizadores buscaram a emenda para viabilizar a infraestrutura, após uma controvérsia semelhante ter impedido a locação da estrutura no ano anterior.
A organizadora Gabriela Mousse expressa preocupação, afirmando que o impedimento se deve a uma “birra política” do prefeito. Ela relata a expectativa de um público de até 3.000 pessoas e a participação de seis bandas convidadas. A prefeitura, procurada para comentários sobre a situação, não se manifestou até o momento.
Denúncias de obstrução política
Mousse relatou à Folha ter mantido diversas conversas com membros da gestão Ricardo Nunes (MDB) e exibiu documentos que sinalizam que a proposta de liberação do recurso pela Secretaria de Cultura foi encaminhada em 26 de junho, mas permaneceu parada na Casa Civil. As mensagens também indicam que, em caso de manutenção do bloqueio da emenda, a pasta comandada por Totó Parente poderia dispor de R$ 50 mil, um terço do valor total solicitado.
Em resposta à situação, os irmãos Giannazi e a deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL) protocolaram um pedido de providências junto ao Ministério Público. No documento, eles acusam a administração municipal de “boicote” ao evento, citando este caso como parte de uma série de “ataques reiterados” à cultura da cidade, incluindo a demolição de um teatro no Parque do Povo e a suspensão da Flipei (Festa Literária Pirata das Editoras Independentes).
Informações divulgadas pela Folha no ano anterior apontaram que o prefeito Ricardo Nunes não liberou nenhuma emenda proposta pelos seis vereadores do PSOL em 2025. Vereadores alinhados à gestão teriam recebido um valor superior ao dobro do montante destinado à oposição em emendas parlamentares, uma alegação de favorecimento que a administração municipal negou na ocasião.
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Comentários (1)
Eliane ☆
12.08.2025 21:59PSOL e suas prioridades. Todos têm que pagar por algo que não 'curte'?Vão atrás de patrocinadores,empresários. Que tal a Magalu?