Premiado em Cannes, diretor volta ao Irã e é processado
Jafar Panahi responde a acusação de propaganda contra o regime e enfrenta tribunal em Teerã nesta semana
O diretor de cinema iraniano Jafar Panahi comparecerá ao Tribunal Revolucionário de Teerã na quarta-feira, 20, para responder a acusações de prática de propaganda contra o sistema clerical do Irã.
A audiência é resultado de um recurso interposto por seus advogados contra uma condenação proferida em janeiro, à revelia, que fixou pena de um ano de prisão e dois anos de restrição ao direito de viajar.
A data coincide com o período do 79º Festival de Cinema de Cannes, no qual Panahi conquistou a Palma de Ouro no ano anterior.
O caso e a acusação
Segundo a agência de notícias iraniana Isna, o processo tramita no Tribunal Revolucionário de Teerã e será conduzido pelo juiz Iman Afshari, magistrado com histórico de sentenças severas a dissidentes políticos e alvo de sanções impostas pela União Europeia.
A acusação se enquadra no tipo penal de “propaganda” contrária ao regime — instrumento jurídico recorrente no país para processar opositores e artistas.
Retornou ao Irã em março, após um período fora do país que incluiu sua presença na cerimônia do Oscar e manifestações públicas contra a repressão a protestos antigovernamentais ocorridos em janeiro. O retorno voluntário ao país representou a primeira confirmação, por um veículo iraniano, de que o cineasta havia regressado ao território nacional.
A obra e o contexto político
O longa-metragem Foi Apenas Um Acidente, que rendeu a Panahi a Palma de Ouro em Cannes e uma indicação ao Oscar, é ambientado no sistema penitenciário iraniano e acompanha cinco personagens que confrontam um homem que acreditam tê-los torturado enquanto presos. A narrativa tem base na experiência pessoal do diretor, que já cumpriu pena de detenção no Irã.
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