Nobel de Medicina premia estudo sobre atividade neuronal
Americano e dois alemães são reconhecidos por descobertas sobre proteínas ativadas por luz, base de método que mapeia circuitos cerebrais
O Comitê do Nobel, em Estocolmo, concedeu nesta segunda-feira, 5, o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2026 ao americano Karl Deisseroth e aos alemães Peter Hegemann e Georg Nagel. O trio foi escolhido por trabalhos sobre canais iônicos ativados pela luz e sobre a optogenética, técnica que permite observar como neurônios participam da formação de memórias, emoções e comportamentos.
Da proteína ao método
Hegemann e Nagel identificaram uma proteína que torna células sensíveis à luz. Deisseroth aplicou a substância em células de ratos e constatou que a exposição à luz azul provocava um sinal nervoso. O controle desses sinais por meio de luz passou a ser chamado de optogenética.
Segundo o comitê, os pesquisadores usaram a técnica para revelar circuitos neurais que regulam memórias, sentimentos e comportamentos específicos, relevantes para transtornos neurológicos e psiquiátricos. O órgão afirma que a área poderá, no futuro, embasar tratamentos para distúrbios neurológicos e sensoriais, como Parkinson e epilepsia.
De acordo com a organização, o método é empregado em laboratórios de todo o mundo: “A optogenética alterou fundamentalmente nossa compreensão do cérebro. Todos os dias surgem novas descobertas, ajudando a solucionar um dos grandes mistérios da humanidade: como funciona nosso extraordinário cérebro”.
Perfil dos laureados
Deisseroth nasceu em 1971 e atua na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Hegemann, nascido em 1954, é professor da Universidade Humboldt, em Berlim; a pesquisa premiada foi feita no Instituto Max Planck de Bioquímica, na Alemanha. Nagel, nascido em 1953, leciona na Universidade de Würzburg e conduziu seu trabalho no Instituto Max Planck de Biofísica, em Frankfurt.
Cerimônia e histórico
Os laureados receberão o prêmio em Estocolmo em 10 de dezembro, data da morte de Alfred Nobel, criador da honraria. O valor em dinheiro é de cerca de US$ 1,2 milhão.
Desde 1901, o Nobel de Medicina foi entregue 116 vezes, e 232 pessoas receberam a distinção. Nenhuma foi premiada mais de uma vez.
Em 2025, o prêmio foi para os americanos Mary E. Brunkow e Fred Ramsdell e para o japonês Shimon Sakaguchi, por descobertas sobre a tolerância imunológica periférica, mecanismo que impede o sistema imunológico de danificar o próprio corpo.
Em 2024, foram premiados os americanos Victor Ambros e Gary Ruvkun, pela descoberta do microRNA, classe de moléculas de RNA com papel na regulação genética.
Próximos anúncios
O prêmio de Medicina abre a temporada de anúncios do Nobel. Os de Física, Química e Literatura serão divulgados na terça-feira, 6, na quarta-feira, 7, e na quinta-feira, 8, respectivamente. O Nobel da Paz será anunciado na sexta-feira, 9, e o de Economia, na segunda-feira, 12.
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