Nobel de Física vai para pesquisa sobre “partículas-fantasma”
Cientista belga Francis Halzen recebe distinção pela descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica
O cientista belga Francis Halzen, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA, recebeu o Prêmio Nobel de Física de 2026, anunciou nesta terça-feira, 6, a Real Academia Sueca de Ciências, em Estocolmo.
Halzen recebeu a distinção por suas contribuições decisivas para o observatório de neutrinos IceCube, na Antártida, e para a descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica.
Halzen falou com o comitê por telefone, da Itália, nesta terça-feira: “Foi uma grande surpresa e, obviamente, eu não esperava por isso”, disse.
Nascido na Bélgica, o cientista de 82 anos é vinculado à Universidade de Wisconsin–Madison, nos Estados Unidos.
O prêmio leva o nome do seu criador, o inventor sueco Alfred Nobel (1833-1896). Neste ano, a dotação teve um aumento de 9%, alcançando 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões), para comemorar os 125 anos desde que o prêmio foi concedido pela primeira vez.
O que é a pesquisa laureada?
As pesquisas de Halzen sobre a detecção de neutrinos no Polo Sul remontam à década de 1980. Halzen reconheceu que o gelo do Polo Sul poderia ser usado para rastrear essas partículas, disse o Comitê Nobel de Física.
Sua visão e sua liderança científica foram de importância fundamental para o projeto IceCube, afirmou o comitê. Com esse observatório, cujos sensores estão espalhados por um quilômetro cúbico de gelo, os pesquisadores podem detectar neutrinos provenientes de processos extremamente energéticos no universo distante.
Os neutrinos, também chamados de “partículas-fantasma”, estão entre as partículas elementares mais misteriosas. Eles não possuem carga elétrica e têm massa quase nula, além de interagirem apenas de forma muito fraca com a matéria comum. Por isso, sua detecção é extremamente difícil.
Um neutrino é um mensageiro fantasmagórico vindo do espaço, explicou o presidente do Comitê Nobel de Física, Mark Pearce.
Em média, 10 bilhões de neutrinos atingem a cada segundo cada centímetro quadrado da superfície terrestre. Grandes instalações de detecção, como o IceCube no gelo da Antártida, têm como objetivo identificar ao menos uma parte dessas partículas.
“Francis Halzen liderou uma equipe internacional de pesquisadores e engenheiros que nos proporcionou um instrumento extraordinário. Sua perseverança e visão científica abriram caminho para um novo tipo de astronomia”, afirmou Pearce.
Química é o próximo
Os seis dias de anúncios do Nobel iniciaram-se na segunda-feira, com o de Medicina, dado ao americano Karl Deisseroth e aos alemães Peter Hegemann e Georg Nagel por suas descobertas relacionadas à atividade cerebral.
As descobertas desses três cientistas em optogenética, um método que permite mostrar como as células nervosas moldam as memórias, os sentimentos e os comportamentos no cérebro vivo, “lançaram as bases de uma nova era na neurociência”, de acordo com o detalhamento da decisão.
Por meio da optogenética, os pesquisadores conseguiram revelar os circuitos neuronais que controlam memórias, emoções e comportamentos específicos relacionados a transtornos neurológicos e psiquiátricos.
Após o de Física, seguem-se Química, Literatura e, na sexta-feira, o da Paz. Na próxima segunda-feira, por fim, será anunciado o Nobel de Economia, que não faz parte da lista de prêmios determinada no testamento de Alfred Nobel e que foi criado em 1968 pelo Banco da Suécia em homenagem a Alfred Nobel.
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