Museu Britânico abandona termo “Palestina” em salas do Oriente Médio
Instituição justifica mudança com argumento de neutralidade histórica; decisão divide opiniões e gera abaixo-assinado pela reversão
O Museu Britânico deixará de usar a palavra “Palestina” em suas exposições permanentes dedicadas ao Oriente Médio. A alteração atinge mapas e legendas que identificavam a costa oriental do Mediterrâneo com esse nome em distintos períodos históricos.
A instituição londrina informou que a revisão aconteceu após consultas públicas realizadas em 2024. A principal justificativa apresentada é que o termo perdeu seu caráter historicamente “neutro”. As novas legendas adotam denominações que variam conforme a época retratada: Canaã, reinos de Israel e Judá ou Judeia.
Em um dos painéis modificados, a expressão “ascendência palestina” deu lugar a “ascendência cananeia”. A mudança abrange tanto materiais escritos quanto representações cartográficas das coleções.
Pressão de advogados israelenses
A modificação foi antecedida por correspondência enviada pela organização UK Lawyers for Israel à direção do museu. O grupo alegou que a aplicação retroativa do nome “Palestina” a milênios de história poderia distorcer transformações históricas, e que o uso do termo minimizaria a existência dos antigos reinos israelitas na região.
A carta foi um dos elementos considerados no processo de revisão conduzido pela instituição. O museu não especificou quanto peso foi atribuído a cada contribuição recebida durante a consulta pública.
Reação e controvérsia
Após a implementação das mudanças, surgiu uma petição online que acumulou milhares de assinaturas. Os signatários exigem o retorno da nomenclatura anterior e defendem que o termo possui longevidade histórica comprovada.
Heródoto, historiador grego do século V a.C., já empregava a palavra para designar a região. A referência também aparece em “Otelo”, peça de William Shakespeare. Os críticos afirmam que a supressão apaga a presença palestina da memória coletiva.
Museu responde
A instituição declarou que seguirá a terminologia adotada pela ONU para fronteiras contemporâneas. Quanto aos períodos históricos, a escolha dos termos dependerá da época específica abordada em cada seção expositiva.
O Museu Britânico mantém uma das mais importantes coleções de artefatos do Oriente Médio antigo. As salas afetadas pelas alterações abrigam objetos que cobrem milhares de anos de história da região.
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