Mudar é preciso? Cinco filósofos que rejeitaram as próprias ideias

o antagonista

Assine Entre

01.06.2026

logo-crusoe-new
Crusoé
  • Últimas Notícias
  • Brasil
  • Mundo
  • Economia
  • Lado oa!
    • Carros
    • Entretenimento
    • Esportes
    • Imóveis
    • Tecnologia
    • Turismo
    • Variedades
  • Colunistas
  • Newsletter
Pesquisar Menu
o antagonista X
  • Olá

    Fazer login Assine agora
  • Home

    Editorias

    Newsletter Colunistas Últimas Notícias Brasil Mundo Economia Esportes Crusoe
  • Mídias

    Vídeos Podcasts
  • Anuncie conosco Quem Somos Política de privacidade Termos de uso Política de cookies Política de Compliance Perguntas Frequentes

E siga O Antagonista nas redes

Menu Menu Menu
O Antagonista

Mudar é preciso? Cinco filósofos que rejeitaram as próprias ideias

avatar
Gustavo Nogy
10 minutos de leitura 02.10.2025 20:13 comentários
Cultura

Mudar é preciso? Cinco filósofos que rejeitaram as próprias ideias

As reviravoltas que redefiniram o pensamento ocidental, de Agostinho a Wittgenstein, e desafiaram a cultura de obstinação na academia

avatar
Gustavo Nogy
10 minutos de leitura 02.10.2025 20:13 comentários 0
Mudar é preciso? Cinco filósofos que rejeitaram as próprias ideias
Ludwig Wittgenstein, com aquela cara de quem leu e não gostou das próprias ideias
  • Whastapp
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Filósofos não gostam de mudar de opinião sobre questões fundamentais (ou mesmo pouco fundamentais). Primeiro, porque não consideram que suas posições sejam “opiniões”: seriam hipóteses ou teses demoradamente elaboradas. Segundo, porque, apesar de filósofos, eles são gente como a gente. Têm vaidade, carreira, comprometimentos.

Na história da filosofia, existem poucos exemplos de pensadores que revisaram abertamente suas principais teses. Menos, os que revisaram e abandonaram. Menos ainda os que revisaram, abandonaram e se voltaram contra suas próprias ideias. Não importa quem sejam eles, quais ideias rejeitaram e quais outras ideias assumiram, devem ser louvados – pelo menos um pouquinho – pela atitude. Que deveria ser normal a quem se dedica à filosofia, mas não é.

O filósofo britânico – também romancista – Will Buckingham diz que, se o diálogo raciocinado funcionasse como esperado, os pensadores mudariam de ideia o tempo todo. No entanto, no vaidoso meio intelectual, principalmente acadêmico, o que mais se vê é obstinação. Filósofo morrendo abraçado às suas ideias. Por que isso?

Uma das razões possíveis é que o esforço despendido na construção dos argumentos não é pequeno. Pensar direito dá trabalho. Às vezes, você tem uma grande sacada e passa o resto da vida tentando provar seu ponto. Mestrado, doutorado, estudos de pós-doutorado. Artigos, colóquios, livros, aparições na televisão, posts em mídias sociais. Não é fácil, depois de tudo, depois de tanto, convocar seu público para dizer:

“Errei.”

“Mudei de ideia.”

“Esqueçam o que escrevi.” (Como disse, teria dito ou não disse Fernando Henrique Cardoso)

Nem todo mundo prefere ser essa metamorfose ambulante

Raul Seixas que nos desculpe, mas a reputação de um pensador muitas vezes depende da fidelidade a uma teoria. A cultura filosófica tende a louvar a adesão constante a uma tese como um sinal de força e consistência. Em uma era voltada para a certeza, a reversão de uma posição pode ser rotulada como fragilidade; até mesmo uma forma de traição. Afinal de contas, teses ou ideias publicadas ou publicamente defendidas atraem admiradores. O pensador orienta alunos. Debate com colegas.

O psicólogo Peter C. Hill observa que, embora muitos considerem as reviravoltas como inconstância, o simples ato de dizer “Eu estava errado” deveria indicar força, modéstia e abertura. Em uma disciplina que depende da argumentação incessante, a aptidão para alterar o curso das conclusões à luz de um raciocínio mais robusto – ou depois de um debate – deveria ser vista como obrigação de todo filósofo que se preze. Deveria, mas não é.

Mas temos exemplos. Algumas figuras trataram a autocrítica como uma virtude. Hilary Putnam, influente filósofo do século XX, defendia a autorrevisão como termômetro de honestidade intelectual. Em 1988, na introdução de seu livro Representação e Realidade, renegou o funcionalism o, o modelo computacional da mente que ele próprio havia defendido. Putnam questionou por que colegas tratavam essa atitude como defeito, e sugeriu que talvez “outros filósofos não mudam de ideia porque nunca cometem erros”. Para ele, a intransigência era mais prejudicial do que a correção.

As fontes históricas já demonstram o alto custo social dessas rupturas. Na Antiguidade, Timócrates de Lâmpsaco se afastou de Epicuro, seu mentor, e foi atacado em uma polêmica. Dionísio de Heracleia abandonou o estoicismo para buscar os prazeres dos cirenaicos e foi tratado como traidor por seus antigos aliados.

Cinco exemplos de que é possível mudar de ideia

Peço que o leitor não se importe com as ideias defendidas ou abandonas, nem de quem as defendeu ou abandonou. A questão aqui não é se este defendia ideias consideradas “boas” ou “certas” e depois o contrário, ou vice-versa. O que importa, no caso, é que foram capazes de mudar. São eles: Agostinho, Kant, Marx, Wittgenstein e Simone Weil. Não é que mudaram de ideia ou fizeram uma correçãozinha de rota.

Agostinho de Hipona (354-430) mudou pelo menos duas vezes. Por nove anos, aderiu ao maniqueísmo, uma religião persa que via o universo em uma luta eterna entre a Luz e a Escuridão. Sob essa perspectiva, o livre-arbítrio era limitado, e o pecado podia ser atribuído às forças obscuras que habitavam o corpo.

Na meia-idade, Agostinho questionou a cosmologia maniqueísta e passou a procurar outra base filosófica, considerando o ceticismo, o neoplatonismo e a doutrina cristã. Após uma crise, converteu-se ao cristianismo, abandonando sua carreira e um casamento arranjado. No início de sua jornada cristã, para refutar o fatalismo maniqueu, ele defendeu a liberdade humana, afirmando que o mal decorre do mau uso da escolha.

Mas depois mudou de novo. Continuou cristão, mas sua posição sobre o livre-arbítrio não era mais a mesma. Alarmado pela tese do monge britânico Pelágio, que pregava que a salvação podia ser alcançada apenas por esforço moral, Agostinho endureceu sua doutrina sobre a graça. Passou a insistir que nós não somos capazes de praticar o bem sem o dom de Deus. Sua convicção foi resumida na oração: “Dá o que Tu ordenas, e ordena o que quiseres”.

Immanuel Kant marcou o pensamento ocidental com sua ruptura em relação à metafísica racionalista de sua juventude. Ele dividiu sua carreira entre os anos pré-críticos, antes de 1770, e o período crítico, iniciado em 1781. O pensador estava inicialmente convencido de que a razão poderia demonstrar a existência de Deus e a imortalidade da alma.

A reviravolta de Kant começou após sua leitura do cético escocês David Hume. Hume despertou Kant de seu “sono dogmático”; sua crença no poder ilimitado da razão desapareceu. Kant percebeu que aceitava pressupostos sem questionamento e encarou a possibilidade de que grande parte da metafísica fosse, em sua expressão, “sofismas e ilusão”.

O choque foi intenso. Kant deixou de publicar por mais de dez anos e se pôs a refletir quieto. Em 1781, publicou a Crítica da Razão Pura, que ele próprio comparou a uma “revolução copernicana”. Ele mudou o foco do conhecimento do mundo (como objeto) para a mente que conhece (como sujeito). O jovem Kant, que respondia a questões metafísicas com facilidade, deu lugar ao pensador que dizia que muitas dessas perguntas eram irrespondíveis.

Karl Marx (1818-1883) também vivenciou uma transição com força revolucionária, passando do idealismo juvenil para o materialismo rigoroso. O jovem Marx, influenciado pelo humanismo, focava na ideia de “alienação” e no sonho de realização humana. Ele via o comunismo como o reencontro com a essência humana. Dois eventos fizeram com que Marx mudasse de ideia.

Primeiro, o jornalismo o colocou em contato com uma realidade social sem teorias. Isso o afastou da “política pura” – principiológica – em direção à economia. O jornalismo fez com que Marx ficasse “na posição embaraçosa de ter que discutir o que é conhecido como interesses materiais”, segundo o próprio recordaria mais tarde.

O segundo fator foi a influência intelectual de seus contemporâneos, como Ludwig Feuerbach e, sobretudo, Friedrich Engels. Marx deixou de lado o humanismo para redefinir os seres humanos como produtos das condições sociais e de classe. Ele e Engels disseram que precisavam “acertar as contas com nossa antiga consciência filosófica”. O Marx maduro, n’O Capital, via a história avançando por conflitos de classe e forças materiais, não por motivos e aspirações filosóficos ou culturais.

Ludwig Wittgenstein é o suspeito de sempre, quando se trata de exemplos de cavalo-de-pau filosófico. Em 1921, publicou o Tractatus Logico-Philosophicus, que postulava (simplificando muito) que o mundo é formado por fatos espelhados em proposições lógicas. A obra terminava com a máxima: “Sobre o que não se pode falar, deve-se calar”. Certo de ter resolvido todos os mistérios, Wittgenstein abandonou a filosofia.

Dúvidas minaram suas certezas. Em 1923, o matemático Frank Ramsey apontou que o Tractatus não conseguia explicar por que “um ponto no campo visual não pode ser simultaneamente vermelho e azul”. O ponto crítico não era lógico, mas sobre a própria tessitura da realidade.

O golpe decisivo veio em conversas com o economista italiano Piero Sraffa. Em um episódio conhecido, Sraffa roçou o queixo em um gesto de desinteresse napolitano e perguntou: “Que forma lógica isso tem?”. Wittgenstein percebeu que a linguagem é tecida em práticas e hábitos, e o significado está no uso que fazemos dela.

Invocado, voltou a Cambridge para confrontar seus – assim ele disse – “graves erros”. O resultado se transformou nas Investigações Filosóficas (1953), livro que contradiz o irmão mais velho, o Tractatus. O esforço para construir uma linguagem lógica perfeita, alertou Wittgenstein, conduz os pensadores à ilusão. Ele comparou seu primeiro trabalho a um “relógio defeituoso”.

Simone Weil (1909-1943) também é um retrato de abandono de certezas. Inicialmente, ela era uma acadêmica brilhante e radical marxista. Se dispôs a trabalhar em fábricas (sem precisar) e defendia o socialismo revolucionário como caminho para a justiça.

Até que repensou seus compromentimentos marxistas no final dos anos 1930. Weil questionou a fé de Marx nas “leis da história” e a promessa da vitória inevitável do proletariado. Ela passou a considerar a realidade como trágica e a notar sementes de tirania nos movimentos comunistas.

A ruptura ocorreu em 1938, quando uma experiência mística durante uma audição de canto gregoriano preencheu seu coração de uma alegria que parecia divina. Após ouvir a poesia de George Herbert, ela relatou que “o próprio Cristo desceu e tomou posse de mim”. A convicta materialista apaixonou-se pelo divino, reorientando seu foco. A revolução política a que almejava deu lugar à necessidade de uma revolução da alma, operada pela Graça.

Não são muitos, mas os exemplos acima demonstram que o pensamento não é uma estrutura finalizada, mas sim uma obra sempre em construção. O pensamento crítico, quando de fato crítico, pressupõe a interrogação das próprias premissas e a abertura para o aprendizado contínuo. A maior força intelectual de um filósofo é preferir a verdade às suas próprias ideias. Que nem sempre são verdadeiras.

O artigo original, no qual se baseia esta versão, pode ser lido no site Big Think.

Nunca foi tão fácil estar bem informado Siga nosso canal no WhatsApp
  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Pesquisa indica que Flávio não é o mais competitivo contra Lula

Pesquisa indica que Flávio não é o mais competitivo contra Lula
2

Direitista lidera na Colômbia e enfrentará aliado de Petro no 2º turno

Direitista lidera na Colômbia e enfrentará aliado de Petro no 2º turno
3

Babá relata pressão para apagar mensagens e mudar versão sobre Henry

Babá relata pressão para apagar mensagens e mudar versão sobre Henry
4

Fachin manda governo apresentar plano para retirar invasores de terra indígena

Fachin manda governo apresentar plano para retirar invasores de terra indígena
5

Exclusivo: As novas provas que ligam Deolane com o PCC

Exclusivo: As novas provas que ligam Deolane com o PCC
6

Lindbergh pede à Interpol apuração sobre recursos de ‘Dark Horse’

Lindbergh pede à Interpol apuração sobre recursos de ‘Dark Horse’
7

Alcolumbre quer recompor relação com Lula, diz José Guimarães

Alcolumbre quer recompor relação com Lula, diz José Guimarães
8

Moro rebate Gleisi: “Nosso projeto bloqueará pretensões do PT”

Moro rebate Gleisi: “Nosso projeto bloqueará pretensões do PT”
9

Romênia confirma origem russa de drone que atingiu prédio

Romênia confirma origem russa de drone que atingiu prédio
10

Egípcio é autorizado a entrar no Brasil após 51 dias retido em aeroporto

Egípcio é autorizado a entrar no Brasil após 51 dias retido em aeroporto
1

Moro lança pré-candidatura ao governo do Paraná ao lado de Flávio

Moro lança pré-candidatura ao governo do Paraná ao lado de Flávio
2

“É uma ameaça à democracia, ao país, ao povo”, diz Alckmin sobre Flávio

“É uma ameaça à democracia, ao país, ao povo”, diz Alckmin sobre Flávio
3

Após ação de Trump, Lula quer acelerar criação de Ministério da Segurança

Após ação de Trump, Lula quer acelerar criação de Ministério da Segurança
4

Governo Trump nega influência de Flávio em decisão sobre PCC e CV

Governo Trump nega influência de Flávio em decisão sobre PCC e CV
5

Globo cria campanha para tentar barrar Copa na Cazé TV

Globo cria campanha para tentar barrar Copa na Cazé TV
6

Esquerda tem que aprender a usar verde e amarelo na Copa, diz Lula

Esquerda tem que aprender a usar verde e amarelo na Copa, diz Lula
7

Lindbergh aciona STF após decisão dos EUA sobre PCC e CV

Lindbergh aciona STF após decisão dos EUA sobre PCC e CV
8

Rodrigo Pacheco anuncia que encerrará carreira política

Rodrigo Pacheco anuncia que encerrará carreira política
9

Moraes revoga últimas cautelares impostas a Marcos do Val

Moraes revoga últimas cautelares impostas a Marcos do Val
10

Deputados pedem investigação sobre suposta articulação de Flávio nos EUA

Deputados pedem investigação sobre suposta articulação de Flávio nos EUA
1

Alerta astrológico: 5 dicas para extrair o melhor de junho

Alerta astrológico: 5 dicas para extrair o melhor de junho
2

Neymar é o herói que o Brasil merece

Neymar é o herói que o Brasil merece
3

Lewandowski: Classificar PCC como terrorista pode representar atentado à soberania

Lewandowski: Classificar PCC como terrorista pode representar atentado à soberania
4

Cardápio da semana: 5 receitas ricas em proteína vegetal para almoço e jantar

Cardápio da semana: 5 receitas ricas em proteína vegetal para almoço e jantar
5

Dia Mundial do Leite: 7 mitos e verdades sobre esse alimento

Dia Mundial do Leite: 7 mitos e verdades sobre esse alimento
6

STJ dá 15 dias para Zema se manifestar em caso de calúnia contra Gilmar Mendes

STJ dá 15 dias para Zema se manifestar em caso de calúnia contra Gilmar Mendes
7

Lua hoje: veja qual é a fase lunar desta segunda-feira, 01 de junho de 2026

Lua hoje: veja qual é a fase lunar desta segunda-feira, 01 de junho de 2026
8

Governadora do DF tem alta após internação por pneumotórax

Governadora do DF tem alta após internação por pneumotórax
9

Haverá “uso e abuso de inteligência artificial” nas eleições, diz Gilmar Mendes

Haverá “uso e abuso de inteligência artificial” nas eleições, diz Gilmar Mendes
10

Big techs pegaram dados “sem autorização” e “deve haver regulação”, diz Moraes

Big techs pegaram dados “sem autorização” e “deve haver regulação”, diz Moraes

Nunca foi tão fácil estar bem informado Siga nosso canal no WhatsApp

Tags relacionadas

filosofia
< Notícia Anterior

O valor oculto de manter um carro 1.0 pode assustar seu bolso em 2025

02.10.2025 00:00 4 minutos de leitura
O valor oculto de manter um carro 1.0 pode assustar seu bolso em 2025
Próxima notícia >

Essa cidade une arquitetura colonial e clima romântico nas montanhas de MG

02.10.2025 00:00 4 minutos de leitura
Essa cidade une arquitetura colonial e clima romântico nas montanhas de MG
avatar

Gustavo Nogy

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)


Icone casa
Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a Política de cookies.

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.

Assine
o antagonista
o antagonista

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41 Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Anuncie Conosco

Últimas Notícias Brasil Mundo

Economia Lado oa! Colunistas Newsletter

Icone do Twitter Icone do Youtube Icone do Whatsapp Icone do Instagram Icone do Facebook

Quer receber notícias do Antagonista em seu e-mail?

Assine nossa newsletter e receba as principais notícias em seu e-mail

Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem Somos Hora extra Política de privacidade Termos de uso Política de Cookies Política de compliance Princípios Editoriais Perguntas Frequentes Anuncie
O Antagonista , 2026, Todos os direitos reservados, 25.163.879/0001-13.
Background do rodapé