Mostra de Rembrandt chega a SP com entrada gratuita
Exposição reúne 69 gravuras originais do artista holandês e permanece aberta ao público até setembro
A CAIXA Cultural São Paulo passa a exibir, a partir desta quarta-feira, 29, um conjunto de 69 gravuras originais do pintor holandês Rembrandt van Rijn (1606-1669), produzidas entre 1629 e 1665.
Batizada de “Rembrandt – O Mestre da Luz e da Sombra”, a mostra tem entrada gratuita e ficará disponível ao público paulistano durante os meses seguintes, até setembro. A iniciativa combina peças históricas com recursos tecnológicos e sensoriais.
Curadoria destaca olhar do artista sobre o cotidiano
A curadoria é assinada pelo historiador italiano Luca Baroni, à frente da Rede Museale Marche Nord. Segundo o material de divulgação da mostra, o acervo já esteve em cartaz em outras três capitais brasileiras — Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória — somando público superior a 235 mil visitantes antes de chegar a São Paulo.
O recorte curatorial se divide em dois grandes temas: o humano e o divino. A proposta acompanha a trajetória do artista por meio de autorretratos, cenas religiosas, retratos de populares e figuras à margem da sociedade da época.
Baroni descreve a abordagem de Rembrandt como um retrato fiel da existência, sem embelezamentos: “Suas obras não idealizam a realidade: elas se aproximam dela com clareza e respeito, reconhecendo a complexidade, a fragilidade e a dignidade até mesmo nas situações mais comuns”, afirma o curador.
Para ele, essa característica explica a permanência da obra de Rembrandt no imaginário artístico até os dias atuais. “Essa capacidade de valorizar a experiência cotidiana é uma das razões pelas quais Rembrandt permanece central na história da arte e, fundamentalmente, continua a ecoar em um público amplo”, completa.
Técnica de gravura funcionava como investigação
Entre as peças selecionadas estão Autorretrato com Saskia (1636), A Descida da Cruz (1633), A Ressurreição de Lázaro (1632), O Jogador de Cartas (1641), O Manto de José Trazido a Jacó (1633) e Cristo Expulsando os Cambistas do Templo (1635). As peças foram feitas com as técnicas de água-forte e ponta-seca.
No período em que Rembrandt produziu essas obras, a gravura era empregada sobretudo para reproduzir pinturas conhecidas, já que a fotografia ainda não existia. No caso do artista holandês, porém, a técnica funcionava como instrumento de pesquisa: as matrizes eram revisitadas e modificadas ao longo do tempo, com variações de luz, densidade e traço.
Baroni resume esse processo criativo como uma forma de acesso direto ao processo do próprio Rembrandt. “Observar suas obras é, de muitas maneiras, entrar diretamente no ateliê do artista”, diz o curador.
Estrutura da exposição garante acessibilidade
O espaço expositivo conta com uma sala imersiva com projeção holográfica de Rembrandt em tamanho real, além de ambientação sensorial. Há também lupas disponíveis para observação detalhada das gravuras e uma réplica tátil em 3D de um autorretrato do artista.
Os recursos de acessibilidade incluem audioguia, conteúdo em braile e vídeos com tradução em Libras. A ideia por trás da montagem tecnológica é criar uma ponte entre a produção artística do século 17 e a experiência do visitante contemporâneo.
A realização gratuita do projeto é viabilizada pela Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, com patrocínio das empresas MedSênior, Banestes e Biancogres.
A circulação da mostra pelo Brasil é organizada pela Premium Comunicação Integrada de Marketing, responsável por trazer ao país exposições de nomes como Leonardo da Vinci, Salvador Dalí e Pablo Picasso em anos anteriores.
Onde, quando, quanto
Local: CAIXA Cultural São Paulo
Visitação: 29 de julho a 27 de setembro de 2026
Dias e horários: terça a domingo, das 9h às 18h
Endereço: Praça da Sé, 111, Centro – São Paulo, SP, próxima à estação Sé do metrô
Classificação: livre para todos os públicos
Entrada gratuita
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