Morre poeta e tradutor Alexei Bueno aos 63 anos
Escritor carioca assinou versão de ‘O Corvo’, de Edgar Allan Poe, e organizou obras de autores clássicos brasileiros
O poeta, ensaísta e tradutor Alexei Bueno morreu na madrugada de sábado, 27, no Rio de Janeiro, vítima de complicações relacionadas a um câncer. Ele tinha 63 anos. A morte foi confirmada por Marco Lucchesi, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, e pela Editora Lume, responsável por parte de sua obra.
Carreira como editor e organizador
Bueno construiu reputação como organizador de acervos de nomes centrais da literatura nacional. Na década de 1990, preparou para a editora Nova Aguilar volumes dedicados a Augusto dos Anjos, Cruz e Sousa, Álvares de Azevedo e Olavo Bilac.
Entre 1999 e 2002, comandou o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro. Já em 1998, assinou a primeira edição comentada no Brasil de História Trágico-Marítima, compilação de relatos de naufrágios portugueses originalmente publicada entre 1735 e 1736.
Também preparou a edição brasileira de Jerusalém Libertada, de Torquato Tasso, e, nos anos 2000, coordenou a antologia de poesia romântica brasileira encomendada pela Unesco.
Em 2012, reuniu em Machado, Euclides & Outros Monstros ensaios sobre autores como Carlos Drummond de Andrade e Álvares de Azevedo.
Tradução de Poe e obra sobre escravidão
Entre os clássicos universais traduzidos por Bueno estão Edgar Allan Poe, Henry Wadsworth Longfellow, Stéphane Mallarmé, Giacomo Leopardi e William Shakespeare.
Sua versão de O Corvo, de Poe, ganhou destaque por reproduzir o esquema formal do poema original. O trabalho integra Cinco Séculos de Poesia, coletânea lançada em 2013 com décadas de produção tradutória.
Como autor, lançou em 2017 a antologia poética Desaparições, com prefácio de Arnaldo Saraiva. Seu título de maior repercussão, no entanto, é A Escravidão na Poesia Brasileira: Do Século 17 ao 21, de 2022, levantamento que reúne 80 poetas e mais de 220 poemas ao longo de cerca de 350 anos, com diversos textos até então inéditos ao público.
Em entrevista concedida à Folha em 2003, Bueno já alertava para mudanças na crítica literária brasileira: “A crítica decaiu quando deixou de ser uma crítica de imprensa para se tornar puramente universitária, com uma linguagem fechada. A função social se perde completamente, dando espaço a modismos, pinçando autores a partir de teorias prévias, quando na verdade a crítica deveria surgir a partir da existência literária”.
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