Morre Cecilia Giménez, restauradora do “Ecce Homo”
Espanhola transformou pintura religiosa em fenômeno global e faleceu em Aragão, após impulsionar o turismo na cidade de Borja
Cecilia Giménez faleceu nesta segunda-feira, 29, aos 94 anos, na região de Aragão, na Espanha. A moradora da cidade de Borja ganhou projeção internacional em 2012. Na ocasião, ela realizou uma intervenção sem supervisão técnica em um afresco religioso.
A pintura modificada, intitulada “Ecce Homo”, estava localizada no Santuário da Misericórdia. Giménez tentou reparar a obra de Elias García Martínez, datada de 1930. O resultado se transformou em um dos grandes memes da internet.
O prefeito local, Eduardo Arilla Pablo, confirmou o óbito em uma postagem em redes sociais. Giménez vivia em uma instituição de repouso mantida pelo governo regional. Segundo o gestor, ela “teve cumprido o seu desejo de falecer tranquila, com toda a sociedade borjana ao seu lado”.
Impacto econômico e cultural em Borja
A repercussão da imagem alterou a dinâmica financeira da pequena cidade de 5 mil habitantes. Borja recebe atualmente visitantes de 110 países. No primeiro ano após o ocorrido, o fluxo turístico chegou a 40 mil pessoas.
O movimento anual estabilizou-se entre 10 mil e 11 mil turistas. O município utiliza a imagem em produtos de licenciamento, como itens de vestuário e decoração. Em 2015, a história serviu de base para a composição de uma ópera nos Estados Unidos.
A obra original de García Martínez não era considerada uma obra de arte relevante antes da intervenção. O jornal El País descreveu o afresco como de “escasso valor artístico”. A “nova versão” conferiu ao quadro um valor simbólico que ela não tinha.
A vida depois do meme
Giménez enfrentou episódios de depressão logo após a viralização do caso. Ela foi alvo de críticas e enfrentou a possibilidade de processos judiciais. Com o tempo, a percepção pública sobre a restauração tornou-se positiva e irônica.
A espanhola detinha 49% dos lucros obtidos com o uso de sua versão do “Ecce Homo”. Os recursos foram destinados a um fundo de auxílio para pacientes com a mesma enfermidade de seu filho. Ela tinha dois filhos, um com lesão cerebral e outro falecido jovem.
Sobre sua própria criação, Giménez declarou em 2016: “Às vezes, de tanto vê-lo, penso ‘meu filho, você já não é tão feio como me parecia no começo’”.
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