MIS lança programa dedicado à memória do teatro brasileiro
Iniciativa substitui projeto encerrado após 14 anos e convida artistas com décadas de carreira para registrar trajetórias em acervo público
O MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo) estreia nesta quarta-feira, 25, às 19h, o programa mensal Vozes em Cena, voltado à preservação da história do teatro nacional. A iniciativa convida artistas das artes cênicas para sessões de depoimento que passam a integrar o acervo da instituição, vinculada à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.
A primeira edição recebe a atriz e diretora Esther Góes, com mais de cinco décadas de atuação no teatro, no cinema e na televisão. O evento ocorre no Auditório LABMIS, com entrada gratuita mediante retirada de ingresso na bilheteria física, com uma hora de antecedência.
Um programa, duas etapas
O Vozes em Cena funciona em dois momentos. O primeiro consiste em um depoimento conduzido pela historiadora Rosana Caramaschi, com especialização em história oral e artes cênicas. O segundo é um bate-papo aberto ao público no auditório do museu, com mediação do ator e diretor Léo Stefanini. Ambos os registros são gravados e incorporados ao acervo do MIS.
O programa substitui o Notas Contemporâneas, encerrado em 2025 após 14 anos de atividade, 135 depoimentos e aproximadamente 800 horas de conteúdo. A nova proposta mantém o foco na história oral, com ênfase nas artes cênicas.
O diretor-geral do MIS, André Sturm, explica a motivação do projeto: “O acervo do Museu tem um sem-número de depoimentos, coletados em diversos momentos de sua história, incluindo uma bela coleção de memória do teatro, com registros de nomes como Procópio Ferreira, Décio de Almeida Prado, Cacilda Becker e Cleide Yáconis”.
Acervo em expansão
Sturm aponta que a continuidade do trabalho se justifica pela presença de artistas ainda em atividade: “Neste momento, com artistas tão importantes para a história do teatro no Brasil ainda em atividade, nossa missão continua com a atualização desses arquivos. Atores e atrizes com 50 anos de carreira, e às vezes mais, são fontes muito preciosas do que significa fazer e viver de arte”.
Esther Góes, formada pela Escola de Arte Dramática (EAD) da ECA-USP, tem no teatro o eixo de sua trajetória. Participou de montagens de autores como Nelson Rodrigues e Bertolt Brecht e integrou grupos de pesquisa teatral em São Paulo. No cinema, foi protagonista de Stelinha (1990), de Miguel Faria Jr., e atuou em Anjos da Noite (1987), de Wilson Barros, e em Ação entre Amigos (1998), de Beto Brant.
Para as próximas seguintes, o MIS já confirmou as atrizes Miriam Mehler, em abril, e Karin Rodrigues, em maio.
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