Justiça da França analisa ação de familiares contra escritora Cecile Desprairies
Parentes retratados como colaboradores nazistas em obra ficcional exigem a retirada do livro das livrarias
A historiadora Cecile Desprairies enfrenta uma demanda judicial apresentada por seus familiares sob a acusação de difamação. O processo diz respeito ao seu primeiro romance, La Propagandiste, construído com base no suposto comportamento de sua família durante a ocupação alemã na França.
O irmão da autora e outro parente solicitam que o título seja removido do mercado. Segundo o Infobae, eles alegam que a narrativa contém inverdades sobre indivíduos que podem ser identificados, apesar do uso de nomes fictícios na obra.
A ação foca na caracterização da mãe da escritora e de outros ascendentes como apoiadores do regime de 1940 a 1944. Os autores do processo negam as condutas descritas e afirmam que o livro foi concebido como uma forma de retaliação pessoal.
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Em manifestações anteriores, Desprairies afirmou que sua criação reflete a realidade do ambiente em que viveu. A escritora declarou que “É um fato: cresci em uma família colaboracionista. Todos o eram, em distintos graus”.
Para a historiadora, a transposição para a ficção é necessária para compreender o impacto da história na vida privada. Ela explicou que “a ficção era a única maneira de dar conta de uma época, de sua relação com o passado e com a história”.
A defesa apresentou documentos para sustentar a narrativa, incluindo um cartaz de propaganda e fotografias antigas. Os familiares, no entanto, contestam as provas, alegando que o cartaz é uma cópia de biblioteca e a foto não comprova alinhamento ideológico.
A autora defende que o falecimento de membros da família permitiu a abordagem do tema. De acordo com Desprairies, “a maioria dos protagonistas que me inspiraram estavam mortos, então há uma liberação da palavra”.
Alcance da obra e novas publicações
O livro recebeu avaliações favoráveis na imprensa internacional, antes do litígio jurídico. Publicações estrangeiras descreveram o texto como uma reconstrução de conflitos familiares e um ato de reparação individual.
Os demandantes sustentam que a escritora não possui provas das acusações de colaboração feitas no texto. Eles argumentam que a falta de comprovação histórica torna a publicação um ataque contra a honra dos falecidos.
Mesmo com a disputa nos tribunais, a autora mantém sua atividade literária. Um novo volume de Cecile Desprairies, que aborda temas similares, deve chegar ao público francês nos próximos dias.
A decisão judicial sobre a permanência de La Propagandiste nas prateleiras deve ocorrer em breve.
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