Josias Teófilo na Crusoé: O pacto fáustico das redes sociais
Você vai ganhar muito dinheiro, mas em troca vai ter que expor a própria intimidade até ninguém te respeitar mais
Há um tipo muito particular de ansiedade contemporânea: a sensação de que se poderia estar ganhando muito dinheiro com produtos digitais — só que essa situação não está acontecendo na prática.
Enquanto empregos tradicionais remuneram o tempo dedicado ao trabalho, e o empreendedorismo clássico pode gerar lucros maiores à custa de responsabilidades como gestão de equipes e encargos trabalhistas, o empreendedor digital parece operar em outra lógica: a de escalar a própria renda a tal ponto de não precisar mais trabalhar.
Só que existem algumas condições, que não são nem um pouco lisonjeiras.
A bem da verdade, essas condições não aparecem todas logo de cara, elas vão surgindo à medida que um influenciador vai querendo aumentar sua influência digital, na base da tentativa e erro.
Isso torna o pacto fáustico das redes sociais ainda mais cruel: em vez de um único pacto com o demônio, são milhares de pequenos pactos, feitos cada dia ou várias vezes num dia em busca de alcançar o máximo de atenção do público.
O pacto consiste no seguinte: você vai ter grande sucesso, vai ficar rico, mas para isso vai ter que expor sua vida, criar polêmicas artificiais, expor-se de maneira nunca antes imaginada, o que inclui sua casa, seus familiares e sua vida íntima.
No caso, o produto que está vendendo não é outra coisa além de si mesmo.
É semelhante ao Onlyfans: no final das contas trata-se de expor sua intimidade por dinheiro (claro que no caso do OnlyFans é outro tipo intimidade).
Vejam o caso da Virgínia Fonseca, influenciadora com mais seguidores no Brasil. São 54 milhões de pessoas.
Ela transforma tudo em fatos para tornar seu nome mais relevante em rede social.
Desde a separação até a paquera e o namoro com o jogador Vini Jr, passando pela CPI das Bets — Virgínia foi convocada por ser uma das maiores divulgadoras…
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