Jerônimo Teixeira na Crusoé: O “caetanismo" é a ideologia da elite que não se quer elite  Jerônimo Teixeira na Crusoé: O “caetanismo" é a ideologia da elite que não se quer elite 
O Antagonista

Jerônimo Teixeira na Crusoé: O “caetanismo” é a ideologia da elite que não se quer elite 

avatar
Redação O Antagonista
2 minutos de leitura 31.05.2024 14:10 comentários
Cultura

Jerônimo Teixeira na Crusoé: O “caetanismo” é a ideologia da elite que não se quer elite 

Um raro ensaio de crítica cultural que sai do previsível diagnostica a crise existencial da velha MPB no país que quase reelegeu Bolsonaro 

avatar
Redação O Antagonista
2 minutos de leitura 31.05.2024 14:10 comentários 2
Jerônimo Teixeira na Crusoé: O “caetanismo” é a ideologia da elite que não se quer elite 
Foto: Secretaria de Cultura da Cidade do México

O Spotify hoje me ofereceu um novo single de Caetano Veloso. Não ouvi ainda. Mas o título me soou familiar.

Sim, claro: You don’t know me é a primeira faixa de Transa, disco de 1972.

Trata-se de uma regravação, portanto. Os créditos no Spotify informam que Caetano canta ao lado de Luísa Sonza, cuja voz nunca ouvi. Sei que ela faz certo sucesso – e que fez muito barulho com uma entrevista em um programa matinal de TV. Desabafou alguma mágoa íntima, de uma traição, creio. Não acompanhei o caso.

Por um tempo, fui editor de cultura de uma revista que também fazia certo sucesso. Era minha obrigação estar por dentro dessas coisas todas – o que a moça disse no programa da Globo e o que cantou com o medalhão da MPB. Hoje, não me sinto mais obrigado a ter opinião sobre as canções que os algoritmos das plataformas de música me apresentam.

Não tenho pressa de ouvir Caê e Luísa. Mas deveria ter sido mais rápido para comentar “A síndrome caetanista”, ensaio de Luigi Mazza publicada na revista piauí deste mês que já se encerra.

De cara, o título me deixou curioso. Mas deixei para ler depois. “Tenho de ler”, pensei eu, duas semanas depois, quando Josias Teófilo escreveu a respeito do artigo nesta Crusoé. Mas não li. Josias recomendou o texto efusivamente quando nos encontramos na fila de autógrafos de STF – Como chegamos até aqui? (que ainda não li…), do amigo Duda Teixeira. No dia seguinte, finalmente li o texto.

Achei sensacional.

Não se trata de uma crítica à música de Caetano. Mazza vai pelo caminho do que poderíamos chamar de sociologia da recepção: ele examina o modo como certa classe média intelectualizada e de esquerda ouve o compositor baiano. Essa turma trata o cantor de Podres poderes com reverência quase religiosa, como se ele fosse um artista-oráculo e um símbolo da nacionalidade. Só que a ideia de Brasil que o Tropicalismo nos legou – um país eclético e espontâneo, entre Vicente Celestino e João Gilberto – envelheceu, se é que já não caducou.

Leia mais aqui; assine Crusoé e apoie o jornalismo independente.

Esportes

Onde assistir aos jogos de hoje, 16/06, na TV e streaming

16.06.2024 11:47 1 minuto de leitura
Visualizar

Concurso Câmara de Palmares: salários de até R$ 3.2 mil

Visualizar

Vale-Gás: o segredo para o alívio imediato da sua conta

Visualizar

O enigma do encolhimento das baleias-cinzentas

Visualizar

Policia investiga se Serginho Chulapa teria agredido a esposa

Visualizar

MEC prorroga inscrições do Enem 2024 para gaúchos

Visualizar

Tags relacionadas

Caetano Veloso Crusoé elite Jerônimo Teixeira
< Notícia Anterior

Presidente das Filipinas alerta para crise no Mar do Sul da China

31.05.2024 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

Primeiro-ministro da Eslováquia tem alta após tentativa de assassinato

31.05.2024 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Redação O Antagonista

Suas redes

Instagram

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (2)

Marcelo Augusto Monteiro Ferraz

2024-05-31 20:58:12

A dita elite acadêmica, artística e do entretenimento brasileira vive numa bolha, só lendo ou dizendo ler os livros que ela mesma produz ou os diálogos dramaturgicos que elabora e interpreta, só ouvindo ou dizendo ouvir as músicas que cria, só assistindo ou dizendo assistir às peças de teatro e filmes que elabora e encena e só comprando ou dizendo comprar as peças de arte que cria ou diz criar. Entende que "tudo" isso proporciona o que julga suficiente para enxergar, cultuar e reciclar, sem renovar, as verdades que só circulam em sua bolha, colorida de dentro para fora, mas mofada e murcha aos olhos de quem a vê de fora para dentro. É cada vez mais a plateia de si mesma nas suas ditas criações e exibições.


Maglu Oliveira

2024-05-31 15:16:55

A elite que "não se quer elite", mas não dispensa as mordomias da elite, a boa vida da elite, os imensos prazeres da elite, principalmente a grana que recebe até mesmo dos mais pobres. Por que não vende tudo que tem, tira todo o dinheiro do banco e das aplicações nos paraísos fiscais e distribui tudinho com a pobreza que é o que não falta no Brasil? Educadamente eu digo: Caetano, vai enxugar gelo, vai?


Torne-se um assinante para comentar

Notícias relacionadas

Jerônimo Teixeira na Crusoé: Mad Max now

Jerônimo Teixeira na Crusoé: Mad Max now

14.06.2024 17:34 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Crusoé: Como "engatar" com Camões

Crusoé: Como "engatar" com Camões

14.06.2024 16:56 2 minutos de leitura
Visualizar notícia
Ilha de Cultura: 2 livros e 1 filme para entender nosso momento político, com Felipe D'Ávila

Ilha de Cultura: 2 livros e 1 filme para entender nosso momento político, com Felipe D'Ávila

14.06.2024 16:29 2 minutos de leitura
Visualizar notícia
Papa Francisco faz alerta sobre IA no G7

Papa Francisco faz alerta sobre IA no G7

Alexandre Borges
14.06.2024 05:40 4 minutos de leitura
Visualizar notícia

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.