Homens da geração Z rejeitam alarmismo e resgatam “virtudes masculinas”
Estudos e pensadores apontam que jovens valorizam integridade, responsabilidade e propósito, longe do radicalismo
Homens da geração Z mantêm visões sobre masculinidade amparadas em valores como responsabilidade, integridade e propósito pessoal.
É o que mostram pesquisas recentes analisadas por Richard Reeves, da Brookings Institution, e confirmadas por autores como Jordan Peterson e Camille Paglia, dois dos nomes mais influentes no debate sobre o papel masculino na sociedade.
Levantamento da YouGov com mil homens entre 18 e 29 anos aponta que os atributos mais valorizados para “ser homem” são prover para a família, honestidade, integridade e prestatividade.
Já características promovidas por influenciadores mais radicais da comunidade “redpill”, como “ser mais rico que os outros” ou “vencer sempre”, estão entre as menos valorizadas.
A pesquisa desmente a tese de que jovens estariam sendo capturados por discursos “misóginos” ou autodestrutivos.
“É incorreto sugerir que a maioria dos homens da geração Z está sendo capturada por ideologias reacionárias. Esse tipo de discurso apenas afasta os jovens do debate público”, afirma Reeves.
Jordan Peterson, psicólogo clínico canadense e autor de “12 Regras para a Vida“, sustenta que existe uma crise da masculinidade e critica sua demonização cultural dos homens na sociedade atual.
“A sociedade associa masculinidade à tirania e isso destrói qualquer ambição legítima por competência”, diz. Para ele, responsabilidade é o caminho mais sólido para o desenvolvimento pessoal masculino: “Assumir responsabilidade é o que dá significado à vida”.
Inicialmente crítico ao movimento redpill, Peterson reconheceu ter julgado mal seus participantes: “Cometi um erro ao tratá-los com desdém. Há razões legítimas por trás desse afastamento dos vínculos tradicionais”, declarou.
Camille Paglia, ensaísta americana e crítica do feminismo contemporâneo, também vê a crise da masculinidade como consequência de um ambiente cultural que reprime a identidade masculina.
“Muitos homens sentem que perderam seu espaço dentro da família e da sociedade. O mundo ocidental tornou a vida dos jovens rotineira e sem aventura”, afirma.
Ela aponta que isso explica o fascínio de alguns jovens por movimentos radicais: “Eles buscam pertencimento e desafio, que a cultura materialista atual não oferece”.
Paglia defende as diferenças naturais entre os sexos e critica a retórica feminista que nega virtudes masculinas: “Há um poder feminino enorme que muitos se recusam a reconhecer. Transformar o feminismo em cruzada contra os homens é veneno cultural”.
Paglia e Peterson convergem ao afirmar que a tentativa de apagar a identidade masculina empurra jovens para a confusão ou o radicalismo.
Ambos defendem o resgate da responsabilidade, da hierarquia baseada em mérito e da aceitação das diferenças naturais entre homens e mulheres.
“Meninos se tornam homens quando aprendem a nutrir, prover e gerar excedente”, resume Reeves.
Os dados revelam uma geração que não está em crise, mas em busca de propósito e que rejeita tanto o niilismo quanto a culpabilização coletiva.
Para intelectuais como Peterson e Paglia, o problema não está nos homens: está em quem se recusa a entender quem são.
Kisin critica série da Netflix por distorcer violência juvenil
O escritor e comediante Konstantin Kisin criticou o impacto da série Adolescência, da Netflix, por apresentar uma narrativa que, segundo ele, distorce a realidade da violência entre jovens.
A produção mostra um garoto de 13 anos que mata uma colega após ser alvo de humilhações nas redes sociais.
Kisin critica o fato da série ter sido elogiada até por líderes políticos como o primeiro-ministro britânico, que a descreveu como “documentário”, com sugestão de uso em escolas. Para Kisin, “ao tratar a obra como representativa, ignora-se que ela é ficção”.
Ele cita estatísticas oficiais para contradizer a premissa da série: apenas 17% dos crimes com facas no Reino Unido envolvem menores de idade, e 75% das vítimas são homens.
Segundo ele, a obra promove a ideia equivocada de que meninos de famílias estáveis, corrompidos pela internet, seriam os principais autores de violência juvenil.
“Adolescência é excelente como peça de ficção, mas não deve ser tratada como útil para entender o que realmente está acontecendo em nosso país”, conclui.
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Walsh:”Ficção virou realidade, e agora é política pública” https://oantagonista.com.br/ladooa/entretenimento/walshficcao-virou-realidade-e-agora-e-politica-publica/
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Comentários (1)
Artur Scudeler Neto
02.07.2025 16:24Excelente. Já é tempo da sociedade reconsiderar o que é feminino e masculino.