Falso anfiteatro romano leva italiano à prisão
Empresário construiu ruínas artificiais para simular sítio arqueológico e vender ingressos a turistas na Itália
Um homem de 69 anos está preso na Itália após ser condenado por fraudar turistas com um suposto sítio arqueológico romano que, na verdade, havia sido erguido por ele mesmo havia menos de 15 anos.
Franco Malosso cumpre pena desde janeiro deste ano em Ventimiglia, no norte do país, por vender a ideia de que a estrutura, batizada de Anfiteatro Berico, tinha quase 1.700 anos de existência.
O caso ocorreu na região de Vicenza, no Vêneto, e voltou a repercutir neste mês após o início do cumprimento da pena.
Estrutura simulava ruínas antigas
O empreendimento ficava em Arcugnano, erguido sobre uma área de cerca de 5 mil metros quadrados após a remoção de parte de uma colina. Segundo o jornal italiano Corriere della Sera, degraus e arquibancadas foram montados com blocos modernos empilhados e tratados para aparentar desgaste histórico.
O cenário contava ainda com colunas de concreto, estátuas de gesso e um lago artificial, elementos pensados para reforçar a impressão de autenticidade. Perícias posteriores identificaram na construção materiais como concreto, gesso e fibra de vidro, incompatíveis com uma origem antiga, enquanto imagens de satélite mostraram que o relevo da colina havia sido alterado antes da instalação do complexo.
Malosso divulgava o local como um achado do período neolítico, da Grécia Antiga e do Império Romano, com data de origem fixada em 393 d.C.
A descoberta teria ocorrido após um deslizamento de terra em 2005, embora já em 2014 o espaço recebesse visitantes pagantes. Os ingressos chegavam a custar 40 euros, e o local foi incluído em um guia turístico com financiamento da União Europeia, além de aplicativos regionais de viagem.
Narrativa incluía até personagem fictícia
De acordo com a emissora CNN, os visitantes eram informados de que figuras históricas como o imperador romano Júlio César e a rainha egípcia Cleópatra teriam frequentado o espaço. O empreendedor também ligava o local a Julieta, personagem da peça de William Shakespeare, apesar de ela não ter existência real.
A apuração sobre o caso começou em 2016, motivada por uma denúncia da prefeitura de Arcugnano. Vistorias feitas por policiais e por órgãos de proteção ao patrimônio cultural constataram, em pouco tempo, que não havia vestígio arqueológico algum no terreno.
Ao longo do processo judicial, Malosso alterou sua versão sobre a origem da obra: primeiro alegou ter encontrado um sítio genuíno e, depois, passou a afirmar que apenas havia reconstruído uma estrutura antiga que existiria ali.
Segundo o jornal espanhol El País, órgãos responsáveis pelo patrimônio rejeitaram essa explicação por falta de qualquer indício arqueológico sob a colina.
A defesa chegou a sustentar que a falsificação era grosseira a ponto de tornar improvável o engano de qualquer visitante, argumento recusado pela Corte de Cassação, instância máxima da Justiça italiana, que confirmou a condenação em dezembro de 2021. A pena definitiva soma dois anos e quatro meses de prisão e multa de 3 mil euros.
A Justiça também determinou o pagamento de indenização de 560 mil euros ao município de Arcugnano, além da demolição da estrutura e da recuperação da colina ao formato original. Até o momento, contudo, a obra segue de pé, e parte dela já está encoberta pela vegetação, segundo relatos citados na reportagem.
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