Estudo forense questiona suicídio de Kurt Cobain, líder do Nirvana
Relatório publicado em periódico científico aponta inconsistências na investigação de 1994 e sugere hipótese de homicídio
Um relatório divulgado no International Journal of Forensic Science contesta a versão oficial sobre a morte do músico Kurt Cobain, ocorrida em 1994. O documento, assinado por cientistas forenses, indica que o vocalista do Nirvana pode ter sido assassinado, ao contrário da conclusão de suicídio estabelecida pelas autoridades há mais de três décadas.
O estudo aponta diversas falhas na investigação original e apresenta evidências que, segundo os autores, são incompatíveis com a hipótese de morte autoinfligida por disparo de espingarda. Os pesquisadores argumentam que o conjunto de elementos médicos e circunstanciais sugere outro cenário para o falecimento do artista, então com 27 anos.
Evidências médicas contestadas
A autópsia de Cobain registrou presença de líquido nos pulmões, hemorragia ocular e lesões no fígado e no cérebro. Os cientistas forenses afirmam que essas características se aproximam mais de quadros de overdose do que de morte instantânea por arma de fogo. A overdose compromete a oxigenação do organismo, o que explicaria os danos observados nos órgãos.
O relatório também questiona a ausência de sangue nas vias respiratórias, achado comum em vítimas de disparos na cabeça. Os pesquisadores destacam que o sangramento nos olhos e as lesões orgânicas indicam privação de oxigênio posterior ao tiro fatal, padrão que diverge do esperado em casos de suicídio por arma de fogo.
Outro ponto analisado diz respeito ao tronco encefálico. Segundo o documento, essa estrutura, responsável pelo controle da respiração, provavelmente não foi atingida pelo projétil. A posição do braço do músico não apresentava a rigidez característica observada quando essa região sofre danos graves.
Elementos da cena contestados
O kit de heroína encontrado perto do corpo também é mencionado como evidência suspeita. Os cientistas consideram que o estado de organização do material seria incompatível com um suicídio. As mangas arregaçadas de Cobain constituem outro detalhe que, na avaliação dos pesquisadores, merece atenção.
O gabinete do médico legista do Condado de King, responsável pela determinação de suicídio em 1994, informou que está disposto a revisar as conclusões caso surjam novas evidências substanciais. A entidade, no entanto, declarou que até o momento não recebeu material que justifique a reabertura do caso.
Quem foi Kurt Cobain?
Kurt Donald Cobain nasceu em 20 de fevereiro de 1967, em Aberdeen, Washington, nos Estados Unidos. Em 1987, fundou o Nirvana, ao lado do baixista Krist Novoselic. A banda teve diversos bateristas até a entrada de Dave Grohl (hoje líder do Foo Fighters), em 1990, formação que se tornaria definitiva e responsável pelo maior sucesso comercial do grupo.
O álbum Nevermind, lançado em setembro de 1991, transformou o Nirvana em fenômeno global. A faixa “Smells Like Teen Spirit” virou o hino de uma geração e catapultou a banda ao topo das paradas. O disco vendeu milhões de cópias e deslocou o rock alternativo da periferia para o mainstream (o que nunca foi bem aceito por Kurt Cobain…).
A banda liderou o movimento grunge de Seattle, ao lado de grupos como Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains.
Cobain lutou contra dependência química durante anos. Casou-se com a cantora Courtney Love em 1992, com quem teve uma filha, Frances Bean Cobain, no mesmo ano.
Em março de 1994, sofreu uma overdose em Roma durante uma turnê europeia. Semanas depois, em 5 de abril de 1994, foi encontrado morto em sua casa em Seattle, aos 27 anos. A investigação policial concluiu tratar-se de suicídio por arma de fogo, versão agora contestada.
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Comentários (1)
Carlos Renato Cardoso da Costa
13.02.2026 06:52Se a família não pediu nova investigação, para quê remexer isso?