Editora WMF Martins Fontes anuncia fim de vendas à Amazon
Alexandre Martins Fontes propôs também limite de 10% para descontos sobre livros durante convenção do setor em São Paulo
A editora WMF Martins Fontes vai suspender o fornecimento de livros à Amazon nos próximos meses.
O anúncio foi feito por Alexandre Martins Fontes, presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL) e sócio da editora, durante a abertura da Convenção Nacional de Livrarias, realizada no Distrito Anhembi, em São Paulo.
Segundo o editor, uma carta comunicando a decisão à companhia foi enviada há um mês.
Desconto como ponto de disputa
Martins Fontes defendeu que as editoras estabeleçam um teto de 10% para descontos aplicados sobre livros, medida que classificou como resposta a práticas de desconto agressivo adotadas por grandes plataformas do setor. “Espero que as livrarias aceitem a imposição das editoras de até no máximo 10% de desconto”, declarou.
O editor associou a prática de descontos elevados a uma desvalorização do livro. “Em qualquer contexto em que a gente fala sobre vender livros, se fala em aplicar descontos aos livros, e isso é uma doença”, afirmou.
Ele também comentou a curadoria da edição deste ano da Convenção, montada por livreiros de livrarias de rua. “Acho muito importante que a gente escute o que as livrarias de rua e de bairro estão nos mostrando”, disse.
Livrarias independentes discutem sobrevivência
Com o tema “A livraria como lugar de encontro”, o evento reuniu, pela primeira vez, uma programação concebida por um grupo de livreiros independentes. Um dos debates reuniu Elisa Quadros, da Lucia Livraria (ES), Guilherme Ramos Martinato, da Livraria Arco da Velha, e Monica Carvalho, da Livraria da Tarde, sobre os motivos que levam livrarias a abrir e a fechar.
Quadros questionou a lógica dos descontos frente ao valor simbólico do livro: “Aquilo que têm valor, a gente não deprecia. Se a gente entende que o livro, os encontros e as trocas são valorosas, por que a gente dá desconto?”.
Martinato, livreiro no Rio Grande do Sul, defendeu maior aproximação das livrarias com instituições e editais públicos para que sejam reconhecidas como alvo de políticas públicas e privadas.
Bastidores da Livraria da Travessa
Outro painel do dia foi dedicado à Livraria da Travessa, com a participação de Rui Campos, dono da rede, em conversa conduzida por Luciana Gil, da Livraria Bibla. Campos abordou a rotina de gestão do negócio.
“Uma boa administração não necessariamente passa por um estudo gabaritado, mas sim de intuição. Passa pela pessoa não fazer o óbvio e ir por um lado que não necessariamente era o mais evidente. O livro é um objeto que precisa ser entendido”, disse.
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