Crusoé: Um manual em defesa dos isentões
Livro "Nem comunista, nem fascista", do jornalista Diogo Schelp, afirma que os moderados são corajosos e cultivam seus próprios princípios
Não importa o país: os moderados são os que mais têm sofrido ataques, tanto à esquerda quanto à direita.
A explicação para isso é simples.
“O que vivemos neste início do século 21 não é um choque de civilizações (…). É um choque entre os fanáticos e o resto de nós. E há fanáticos de todos os tipos e inclinações políticas e religiosas“, disse o escritor israelense Amós Oz.
A frase está logo na introdução do livro Nem comunista, nem fascista (Edições 70), recém-lançado pelo jornalista Diogo Schlep.
Ao concordar com Amós Oz, ele escreve: “É exatamente isso que os radicais querem: eliminar o espaço que existe entre eles e o inimigo, o espaço para a dúvida, a ponderação e a avaliação racional de ideias“.
“A disputa que importa não é aquela que ocorre entre extremistas de campos opostos, mas entre esses e os moderados“, escreve o autor.
Sua obra é praticamente um manual em defesa dos moderados, às vezes chamados de “isentões“.
Corajosos e com princípios
Schelp contesta a ideia de que os isentões são covardes sem princípios.
Muito pelo contrário. Segundo ele, os moderados demonstram coragem ao se posicionar, mesmo em ambientes polarizados, e têm seus próprios valores, ainda que não defendam uma ideologia fechada.
Para defender seu ponto, Schelp faz uma paciente e detalhada revisão dos pensadores que defenderam a moderação ao longo dos séculos, passando por Aristóteles (“um obcecado com a ideia de moderação política“), Nicolau Maquiavel, Montaigne, John Locke, Montesquieu, Edmund Burke, Tocqueville, Hannah Arendt, Raymond Aron, Isaiah Berlin, Norberto Bobbio, Ortega y Gasset e até o desconhecido cientista político romeno Aurelian Craiutu.
Professor da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, Craiutu retoma os ensinamentos de Raymond Aron para fazer uma lista daqueles que seriam os fundamentos da moderação. É uma das melhores partes do livro.
O primeiro fundamento é pensar politicamente, e…
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Comentários (1)
Estou como Diogenes procurando os isentões, no meu caso Democracia é fundamental, golpistas na cadeia e pelo devido processo legal.