Cotada ao Nobel, poeta Adélia Prado recebe bênção do papa Leão
Homenagem antecede os 90 anos da autora e coincide com especulações sobre o Nobel de Literatura; Milton Hatoum também aparece entre os favoritos
Adélia Prado, uma das mais importantes vozes da poesia brasileira contemporânea, recebeu no fim de setembro uma bênção apostólica enviada pelo papa Leão. A saudação foi entregue na casa da escritora, em Divinópolis, Minas Gerais, pelo bispo da Diocese de Divinópolis, Dom Geovane Luis da Silva, que estava acompanhado do padre José Raimundo Bechelaine. Católica fervorosa, ela está prestes a celebrar seu aniversário de 90 anos.
O bispo Dom Geovane falou sobre o encontro e manifestou sua admiração pelo conjunto da obra de Adélia: “Hoje tive a alegria de encontrar-me com Adélia Prado e seus familiares. Um momento singular! Acompanhou-me o Pe. José Raimundo Bechelaine, amigo da poetisa. Fomos portadores da Benção Apostólica concedida pelo Santo Padre, o Papa Leão. Recebemos a correspondência expedida diretamente da secretaria papal, via nunciatura. A benção foi concedida a ela para celebrar a data do seu aniversário, no dia 13 de dezembro de 2025”.
Reconhecimento e novo livro
Durante a ocasião, Adélia Prado presenteou Dom Geovane com um exemplar autografado de sua nova publicação. O livro, intitulado O jardim das oliveiras, é o primeiro com textos inéditos depois de um hiato de doze anos.
A nova obra de Adélia retoma os temas recorrentes em sua produção literária: a tensão entre crença e incerteza, a relação entre o poético e o silêncio, bem como a polaridade entre luminosidade e sombra, além de meditações sobre a própria expressão poética e a função que ela desempenha no mundo.
A autora entrelaça elementos do cotidiano com o sagrado com versos carregados de simbolismo: “Era Deus quem doía em mim”.
Projeção para o Nobel de Literatura
O destaque concedido pelo Papa e o lançamento de uma obra inédita coincidem com a atenção voltada a Adélia Prado, que aparece entre os nomes cotados para o Prêmio Nobel de Literatura.
Segundo monitoramento realizado em casas de apostas, reunidos pelo site britânico Nicer Odds, o amazonense Milton Hatoum, eleito há pouco tempo para a Academia Brasileira de Letras, aparece com cotação de 24/1, enquanto Adélia Prado figura com 30/1.
O único escritor de língua portuguesa a ganhar o prêmio foi o português José Saramago, em 1998.
Quem está no topo da lista dos favoritos é o romancista húngaro László Krasznahorkai, cujo livro Sátántangó (1985) foi publicado no Brasil. Mas, quando se trata do Nobel, ser favorito não é garantia de prêmio. Às vezes, é exatamente o contrário.
O nome do premiado com a honraria máxima da literatura deve ser anunciado na próxima quinta-feira, 9.
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