Contra a solidão, startup promete reprogramar o acaso
Plataforma aposta em conexões autênticas e “inesperadas” mediadas pela Inteligência Artificial
A ânsia por conexões humanas autênticas na era digital ganha um novo aliado: o 222, uma plataforma social que promete se distinguir dos modelos tradicionais de aplicativos de relacionamento. Com a proposta de “programar o acaso” por meio de inteligência artificial, o 222 quer “reviver” os encontros inesperados e promover interações presenciais significativas.
Lançado em 2021 por um trio de amigos – Keyan Kazemian, Arman Roshannai e Danial Hashemi –, esse “cupido” artificial nasceu da observação do declínio dos chamados “terceiros lugares”, espaços públicos que antes propiciavam esbarrões casuais e a formação de laços.
O cofundador e diretor de operações, Danial Hashemi, enfatiza que o propósito da plataforma sempre foi “tirar as pessoas de casa e colocá-las frente a frente”.
Em um cenário onde a solidão é reconhecida até como epidemia – um relatório de 2023 do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA aponta um aumento drástico no tempo individual, com uma queda nas interações sociais –, o 222 quer se vender como uma solução.
Hashemi acredita piamente que a IA pode ser a ferramenta que faltava para “criar conexões mais profundas”, dar aquele empurrãozinho e “reaproximar as pessoas das cidades em que vivem”.
Metodologia e expansão impulsionada pela IA
O funcionamento do 222 (o nome homenageia o endereço em Los Angeles onde a ideia foi concebida) foge do usual, ao eliminar fotos de perfil.
O ponto de partida é um extenso questionário de personalidade, comparável a múltiplos testes psicométricos, que abrange desde preferências culturais e visões políticas até questões mais íntimas, construindo um perfil detalhado do usuário.
Com base nessas informações, a inteligência artificial convida os membros para experiências elaboradas, como jantares temáticos ou atividades esportivas, sempre conectando indivíduos com perfis compatíveis.
Para custear os encontros e garantir a sustentabilidade da plataforma, os participantes podem optar por pagar uma taxa por evento ou assinar planos mensais, trimestrais ou anuais.
Um ponto importante do sistema é o ciclo de feedback pós-evento, em que os usuários avaliam as interações e indicam com quem desejam manter contato.
Esse retorno alimenta o algoritmo, aprimorando continuamente a precisão das futuras sugestões (casuais, lembrem-se) e otimizando as chances de novas conexões ou aprofundamento das existentes.
Segundo Hashemi, a plataforma é uma resposta à fragmentação social, onde as redes digitais muitas vezes apenas reforçam bolhas de pensamento. Atualmente, o 222 já se expandiu para cidades como Nova York, São Francisco e Chicago, fez sua estreia internacional em Toronto, Canadá, e planeja chegar a Londres e Washington, D.C. em breve, após um investimento de US$ 3,6 milhões.
O objetivo é construir um negócio duradouro, capaz de reorganizar a vida social das pessoas.
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