Congresso dos EUA pode proibir livros sobre gênero em escolas
Penguin Random House, maior grupo editorial do mundo, se posiciona contra a proposta que condiciona repasses à restrição de publicações
A Penguin Random House enviou uma carta ao Congresso dos Estados Unidos pedindo a rejeição do projeto de lei H.R. 7661, conhecido como Stop the Sexualization of Children Act.
De acordo com o Publishing Perspectives, a proposta bloquearia o financiamento federal a programas que ofereçam a menores de 18 anos materiais classificados como “sexualmente orientados” — definição que, segundo o texto, abrange conteúdos relacionados a “disforia de gênero ou transgenerismo”.
Para a editora, a medida representa uma ameaça direta à liberdade intelectual nas escolas americanas.
Pressão sobre educadores e bibliotecários
Na carta enviada a parlamentares, Skip Dye, vice-presidente da Penguin, argumenta que o projeto vai além de restringir material explícito: “Ao vincular restrições vagas e abrangentes ao financiamento, este projeto cria incentivos para que escolas retirem ou evitem uma ampla gama de livros e materiais”.
Segundo ele, na prática, “educadores e bibliotecários serão forçados a autocensurar-se para proteger seus orçamentos, resultando em maior marginalização de comunidades vulneráveis”.
Dye defende que decisões sobre o que é adequado para estudantes devem caber a profissionais da educação, e não ser ditadas por condicionantes federais: “Os americanos defendem há muito um princípio simples: o governo não deve decidir o que pensamos, dizemos ou lemos”, afirmou na carta.
Coalizão contra o projeto
Analistas avaliam que dificilmente reunirá votos suficientes no Senado. Ainda assim, mais de cem organizações — entre associações de bibliotecas, editoras, livreiros e grupos de defesa civil — assinaram uma declaração conjunta contrária à medida, publicada no site da PEN America. O documento afirma que o H.R. 7661 “confunde obscenidade com identidade e estigmatiza jovens vulneráveis, em particular crianças e adolescentes trans, com base em quem são”.
Em contraposição, parlamentares democratas apresentaram duas iniciativas para ampliar o acesso à leitura.
A deputada Ayanna Pressley, de Massachusetts, anunciou em 2026 o Books Save Lives Act, voltado à promoção de literatura inclusiva.
Já em dezembro de 2025, o senador Jack Reed, de Rhode Island, e a deputada Adelita Grijalva, do Arizona, haviam introduzido o Right to Read Act.
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