Como será a (perigosa) volta da Artemis II à Terra
Durante aproximadamente 13 minutos, os riscos são maiores: calor extremo, apagão de comunicação e desaceleração brusca até cair no oceano
Subir é “fácil”. Descer, segundo especialistas, é o mais difícil. Às 20h54 (horário de Brasília) desta sexta-feira, 10, a cápsula Orion, batizada de Integrity, iniciará sua reentrada na atmosfera terrestre, em uma velocidade de 38 mil km/h — a velocidade mais alta registrada por uma nave tripulada desde a Apollo 17, em 1972.
O pouso no Oceano Pacífico, próximo a San Diego (EUA), está previsto para as 20h07. A sequência completa exige que uma série de condições técnicas se cumpra sem falhas para que tudo corra conforme o previsto e a tripulação volte com segurança.
Calor e silêncio
Ao atingir a altitude de 122 km, a Orion encontrará as primeiras camadas da atmosfera a velocidades equivalentes a cerca de 30 vezes a do som. O atrito com o ar elevará a temperatura da superfície da cápsula a mais de 2.700 °C, gerando uma camada de plasma que bloqueará todas as comunicações com o solo por aproximadamente seis minutos.
Durante esse intervalo, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen suportarão forças de até 3,9 vezes a gravidade terrestre. A trajetória de descida foi projetada para prolongar a desaceleração e manter essas forças dentro de limites toleráveis ao organismo humano.
Escudo e paraquedas
A NASA modificou o ângulo de reentrada da Artemis II em relação à missão anterior não tripulada. A inclinação mais acentuada reduz o tempo de exposição do escudo térmico ao calor, uma medida adotada após danos registrados no mesmo componente durante a Artemis I, em 2022. A técnica de “salto” atmosférico usada naquela ocasião foi descartada.
Após o período de apagão, com a cápsula já abaixo de 7 km de altitude, entram em ação os paraquedas de frenagem, às 20h03, seguidos dos três paraquedas principais, que se abrem por volta de 1,8 km de altura às 20h04. O impacto final no oceano ocorre a cerca de 32 km/h.
Lar, doce lar
Equipes da Marinha dos EUA posicionadas a bordo do navio USS John P. Murtha aguardam o pouso com quatro helicópteros e seis embarcações. A tripulação será retirada da cápsula em até duas horas e transportada ao navio para avaliação médica inicial, antes de seguirem ao Centro Espacial Johnson, no Texas.
A missão já registrou um marco histórico: no dia 6 de abril, Artemis II alcançou 248.655 milhas de distância da Terra, superando o recorde de maior afastamento humano do planeta, que pertencia à Apollo 13 desde 1970.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)