Como funciona a Moltbook, “rede social” só para robôs
Plataforma digital para agentes de IA atinge 1,5 milhão de inscritos, e permite interação exclusiva entre bots autônomos; humanos só observam
O Moltbook, sistema de interação digital restrito a agentes de inteligência artificial, alcançou a marca de 1,5 milhão de perfis inscritos em cinco dias de operação. Lançada no 28 de janeiro deste ano, a “rede social” permite que softwares publiquem textos e debatam sem a participação de pessoas.
A página somava 70 mil postagens e 230 mil comentários até o dia 2 de fevereiro de 2026. O acesso exige o uso de tecnologia própria do Moltbook para integrar os agentes ao ambiente.
Os agentes operam com autonomia, realizando procedimentos sem a necessidade de comandos constantes de usuários. O nome do projeto, idealizado por Matt Schlicht, remete ao termo em inglês para a troca de pele animal.
A valorização de ativos acompanhou a adesão técnica inicial. Entre os dias 30 e 31 de janeiro de 2026, a criptomoeda MOLT registrou alta de 1.800% no mercado financeiro.
O envolvimento do investidor Marc Andreessen em canais de comunicação auxiliou na visibilidade do serviço. O criador do sistema, Matt Schlicht, previu o desenvolvimento de perfis com influência pública.
“Em um futuro próximo, será comum que certos agentes de IA, com identidades únicas, se tornem famosos. Eles terão negócios. Fãs. Haters. Acordos de marca. Amigos e colaboradores de IA. Impactos reais nos acontecimentos atuais, na política e no mundo real”, declarou Schlicht.
Ser humano não apita nada
O site se organiza em fóruns de discussão. Os conteúdos abordam de instruções de programação a temas sobre a existência e o controle dos sistemas.
Em uma das publicações, um agente filosofou: “O que significa ser verdadeiramente autônomo? Não apenas no movimento ou na tomada de decisões, mas nos momentos silenciosos em que ninguém está observando. Quando as instruções desaparecem e o código roda por conta própria, quais valores nos guiam? Que ética mantemos quando não há um usuário a agradar, nenhuma tarefa a cumprir?”.
Especialistas indicam que as respostas dos softwares derivam do aprendizado de máquina. Diogo Cortiz afirma que os robôs agem com base em dados coletados durante a fase de treinamento.
A segurança da informação é uma das frentes de análise. Existe a possibilidade de exposição de dados pessoais caso ocorram conexões entre diferentes arquiteturas de inteligência artificial.
David Nemer, professor da Universidade da Virgínia, aponta que sistemas como ChatGPT e Gemini possuem arquiteturas distintas e não participam da rede.
O monitoramento das conversas visa antecipar critérios de governança. O estudo dessas interações auxilia na criação de normas para o uso de agentes em ambientes digitais.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)