Brasileiros desenvolvem tecnologia para baterias de nióbio

03.04.2026

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Brasileiros desenvolvem tecnologia para baterias de nióbio

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Redação O Antagonista
3 minutos de leitura 02.02.2026 21:27 comentários
Cultura

Brasileiros desenvolvem tecnologia para baterias de nióbio

Dispositivo utiliza microambiente químico para estabilizar o metal e permitir o armazenamento de eletricidade sem uso de lítio

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3 minutos de leitura 02.02.2026 21:27 comentários 1
Brasileiros desenvolvem tecnologia para baterias de nióbio

Pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP criaram um protótipo de bateria que utiliza o nióbio como componente principal para estocar energia. O projeto resultou em um depósito de patente e apresenta uma alternativa aos modelos que dependem de lítio, cobalto e níquel. A inovação consiste na estabilização da reatividade do metal por meio de um ambiente químico controlado.

O nióbio, metal abundante em território brasileiro, era utilizado apenas como aditivo em sistemas de armazenamento. Sua aplicação direta encontrava barreiras na oxidação descontrolada, que impedia a condução de elétrons.

Frank Crespilho, coordenador do estudo, explica que “a principal dificuldade é a altíssima reatividade do nióbio. Em ambientes convencionais, ele oxida de forma descontrolada e cria camadas passivas que bloqueiam a transferência de elétrons”.

A solução surgiu de conceitos da biologia, observados em enzimas que operam com metais reativos sem sofrer degradação. Os cientistas transportaram esse princípio para o dispositivo, criando camadas que regulam a atividade do nióbio.

“Em vez de tentar ‘domar’ o nióbio à força, criamos um microambiente artificial inspirado na biologia, capaz de cooperar com o metal, estabilizar seus estados de oxidação e permitir sua operação reversível”, afirma Crespilho.

Mecanismo de funcionamento e arquitetura técnica

O sistema opera com duas estruturas denominadas NB-RAM e N-MER. A primeira funciona como uma proteção química que impede reações indesejadas ao redor do metal. Já a segunda atua no controle do fluxo de elétrons que entram e saem do sistema. Essa configuração permite que o nióbio alterne entre diferentes estados de oxidação de maneira estável.

Segundo o pesquisador, “na prática, essa combinação permite que o nióbio transite entre seus estados de oxidação de forma escalonada, reversível e estável, explorando múltiplos elétrons do mesmo metal”. Os testes laboratoriais indicaram que o dispositivo alcança tensões próximas a 3 volts. O desempenho foi mantido após diversos ciclos de carga e descarga.

Os resultados validam o uso do nióbio como um substituto viável em tecnologias de armazenamento de energia. A pesquisa contou com a colaboração de doutorandos e pós-doutorandos do Grupo de Bioeletroquímica e Interfaces. O trabalho utiliza conhecimentos adquiridos em instituições internacionais, como o California Institute of Technology e Harvard.

Soberania tecnológica e perspectiva industrial

O depósito da patente foi realizado pela Universidade de São Paulo para assegurar a propriedade intelectual no país. O objetivo é evitar que o Brasil atue apenas como exportador da matéria-prima bruta. A iniciativa busca manter o controle dos ganhos gerados pela aplicação tecnológica do metal.

Crespilho afirma que “a ciência fundamental está feita; agora a prioridade é transformar rapidamente conhecimento em tecnologia, mantendo o controle nacional da inovação desenvolvida na USP e assegurando que o nióbio gere valor tecnológico, industrial e geopolítico para o Brasil”. As etapas seguintes envolvem o registro internacional da patente e o aprimoramento da engenharia de materiais.

De acordo com o Jornal da USP, o grupo agora tenta validar a tecnologia em protótipos compatíveis com padrões industriais vigentes. O foco recai sobre testes de durabilidade e segurança para futura produção em larga escala.

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Comentários (1)

Luis Eduardo R. Caracik

03.02.2026 12:15

Resta saber se as baterias com esta tecnologia terão características de desempenho superiores ou inferiores às baterias atuais. De qualquer forma é mais conhecimento neste campo que tem muitos desafios pela frente. Parabéns aos pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos da USP. Institutos como este, a Embrapa e outros deveriam receber aportes muito maiores.


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