Artistas querem Rússia fora da Bienal de Veneza
Comissão Europeia ameaça cortar €2 milhões após retorno russo à mostra de arte; mais de 6 mil profissionais assinam carta de repúdio
A Fundação La Biennale di Venezia confirmou a participação da Rússia na 61ª edição da mostra, prevista para abrir em 9 de maio, e deflagrou uma série de reações no meio artístico internacional e entre governos europeus.
A Comissão Europeia foi a primeira a se manifestar: em nota divulgada na última terça-feira, 10, afirmou que a decisão contraria a resposta coletiva da União Europeia à guerra na Ucrânia, e indicou que pode suspender ou encerrar um subsídio trienal de €2 milhões (cerca de R$ 12,2 milhões) concedido à fundação organizadora.
Seria a primeira vez, desde a invasão russa da Ucrânia, que o país estaria representado no evento italiano.
Carta e protestos do meio cultural
Mais de 6 mil artistas, curadores, acadêmicos, jornalistas e políticos assinaram uma carta aberta publicada pelo movimento “Arts Against Aggression International Movement”. O documento pede que a organização da Bienal reveja a decisão.
Os signatários questionam o argumento de que eventos culturais devem se manter à margem de conflitos políticos. Para eles, essa lógica pode ser usada para atenuar responsabilidades de Estado em tempo de guerra.
A Fundação respondeu afirmando que a Bienal é uma instituição “aberta” e que rejeita “qualquer forma de exclusão ou censura à arte”.
Reações diplomáticas e posição italiana
O governo da Ucrânia também reagiu. Em declaração conjunta, o ministro das Relações Exteriores, Andriy Sybiha, e a ministra da Cultura, Tetyana Berezhna, afirmaram que a mostra não deveria funcionar como espaço de normalização para um país ao qual se atribui a destruição de patrimônio cultural e ataques à identidade ucraniana.
O Ministério da Cultura da Itália, por sua vez, declarou que a decisão foi tomada de forma autônoma pela organização do evento, apesar de o governo italiano se opor ao retorno russo. A posição revela a tensão entre a independência institucional da Bienal e as pressões políticas externas.
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