Artista chinês “cobrirá” busto do presidente Franklin D. Roosevelt em Nova York

04.11.2026

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Artista chinês “cobrirá” busto do presidente Franklin D. Roosevelt em Nova York
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4 minutos de leitura 13.05.2025 17:31 comentários
Cultura

Artista chinês “cobrirá” busto do presidente Franklin D. Roosevelt em Nova York

Ai Weiwei, conhecido por sua postura irreverente e crítica a governos e instituições, apresentará instalação de grande escala nos EUA

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Artista chinês “cobrirá” busto do presidente Franklin D. Roosevelt em Nova York
Homem bloqueia passagem de tanques nos arredores da Praça da Paz Celestial

O polêmico artista chinês Ai Weiwei, que já foi preso pelo regime de seu país, apresentará uma nova instalação de grande escala em Nova York, marcando a inauguração do programa de arte pública Art X Freedom.

Intitulada “Camouflage”, a obra envolverá o busto do presidente Franklin D. Roosevelt no FDR Four Freedoms Park, na Ilha Roosevelt, com uma extensa rede sustentada por andaimes. A instalação, prevista para setembro de 2025, tenta provocar reflexão sobre liberdade, proteção e manipulação.

“Camouflage”: símbolos e interatividade na Ilha Roosevelt

A instalação ocorrerá no ponto mais estreito do parque, concebido pelo arquiteto modernista Louis Kahn. O desenho da estrutura inclui um telhado de duas águas, totalmente coberto por tecido de camuflagem decorado com silhuetas de gatos. A escolha desse padrão e tema não é aleatória; para Ai Weiwei, a camuflagem simboliza disfarce, proteção, mas também ilusão e manipulação.

O artista afirmou que a obra pretende estimular a reflexão sobre o que precisa ser protegido e o que deve ser revelado para que a verdade venha à tona. A inclusão das silhuetas de gatos é uma homenagem a um abrigo de animais próximo, a Wildlife Freedom Foundation, e aponta para o impacto silencioso que crises humanas, como guerras e pandemias, exercem sobre animais inocentes.

O projeto, realizado pela Four Freedoms Park Conservancy, busca promover obras que investiguem temas urgentes em torno de justiça social e liberdade. A instalação incluirá um componente interativo, permitindo que visitantes registrem desejos e reflexões em fitas para amarrar na rede, reafirmando a potência política e poética da arte em espaços urbanos.

Uma trajetória moldada pela crítica e pela repressão

A escolha de Roosevelt e os temas de liberdade na obra em Nova York se conectam profundamente com a trajetória de Ai Weiwei, marcada pela resistência e crítica a sistemas autoritários.

Nascido em 1957, o artista é filho do poeta chinês Ai Qing, exilado e condenado a trabalhos no campo durante a Revolução Cultural, promovida pelo ditador Mao Tsé Tung. A prisão e o exílio do pai marcaram profundamente a maneira de pensar do artista.

Ai Weiwei fez parte da primeira geração chinesa a estudar fora do país após a abertura nos anos 1970. Nos Estados Unidos, onde morou a partir de 1981, teve contato com obras críticas de artistas como Marcel Duchamp e Andy Warhol, proibidas na China, e compreendeu o poder critico da arte sobre governos e sociedade.

Ao retornar à China após os protestos de 1989, ele encontrou um governo que intensificava o cerco contra intelectuais. Em resposta, reuniu-se com outros artistas e editou livros de arte sobre obras “subversivas” conhecidas no exterior. Desde então, sua arte se tornou um instrumento de crítica aos abusos do governo.

Ele é conhecido por obras provocativas como a quebra de um vaso antigo (“Dropping a Han Dynasty Urn”), o vídeo “Fuck You, Motherland” e a instalação “Sunflower Seeds”. Em 2011, Ai Weiwei foi preso sob acusações vagas, desaparecendo por 81 dias, apesar de protestos internacionais, e permaneceu em prisão domiciliar por anos, impedido de viajar e usar redes sociais até 2015.

Essa experiência de repressão intensificou seu compromisso. Ele trocou a câmera analógica por um smartphone para registrar protestos e dirigiu mais de 20 documentários sobre questões políticas, direitos humanos e desastres, como “Human Flow” e um filme sobre Fukushima.

Hoje, Ai Weiwei vive na Alemanha, onde trabalha com mais segurança. Recentemente, a Companhia das Letras publicou sua autobiografia: “Mil anos de alegrias e tristezas: Memórias”.

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