Anne Carson vence o Nobel de Literatura de 2026
Poeta e ensaísta canadense de 76 anos é premiada por obra que une experimentação formal e tradição clássica
A Academia Sueca anunciou nesta quinta-feira, 8, que a poeta e ensaísta canadense Anne Carson, de 76 anos, é a vencedora do Nobel de Literatura de 2026. Ela é a 19ª mulher a receber o prêmio, entregue desde 1901. A honraria é de 12 milhões de coroas suecas, quase 6 milhões de reais.
Justificativa da Academia
Em comunicado, a Academia Sueca afirmou ter premiado Carson “porque sua obra ousada e inventiva, em diálogo divertido com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.
Durante o anúncio, o porta-voz do Nobel declarou que a arte da autora combina “a obsessão dos filólogos pelas palavras com a busca dos poetas por novos sentidos”.
Carson é a terceira canadense a ser premiada. A contista Alice Munro venceu há 13 anos, e Saul Bellow, nascido no Canadá e radicado nos Estados Unidos, foi laureado em 1976, exatamente 50 anos atrás.
Obra que mistura gêneros
Há ao menos dez anos, a escritora aparecia entre as favoritas ao prêmio. Seus livros recorrem à literatura grega e latina, à filosofia e a autores centrais das letras inglesas. Também misturam poesia, prosa, ensaio, tradução e não ficção.
Estreou em 1986 com Eros, o Doce-Amargo, reeditado em 1998, que investiga o desejo por meio de poesia, teoria e ensaio. Desde então, publicou mais de 15 livros.
Como tradutora, Carson verte textos clássicos para o inglês com anacronismos e coloquialismos. Na versão de Antígona, de Sófocles, um dos personagens ganha um barco a motor.
Presença no Brasil
A autora chegou ao país apenas em 2017, quando Vilma Arêas e Fernando Guimarães traduziram O Método Albertine, pelas Edições Jabuticaba.
Depois, outras editoras passaram a publicá-la. A Editora 34 lançou Sobre Aquilo em que Eu Mais Penso e Autobiografia do Vermelho. A Bazar do Tempo editou Eros, o Doce-Amargo e A Beleza do Marido. A Relicário publicou Falas Curtas e Vidro, Ironia e Deus.
A escolha reforça a presença da língua inglesa entre as obras premiadas. A última vencedora a escrever poesia em inglês foi a americana Louise Glück, em 2020. A língua portuguesa recebeu o Nobel uma única vez, com José Saramago, em 1998.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)