Rasgando a fantasia
A oposição protagonizou um segundo ato contra o governo Bolsonaro, mas esqueceu o tom "apartidário" do anterior.
Eu exagerei, concordo, exagerei. O certo são inocentes úteis. São garotos inocentes, nem sabiam o que estavam fazendo lá. Na teoria, usa-se a inocência das pessoas para atingir o objetivo. Uma vez atingido, as primeiras vítimas são exatamente essas pessoas. Jair BolsonaroA versão “paz & amor” de Bolsonaro era um balde de água fria na oposição, que depende da fervura para lotar ruas. Mas, por via das dúvidas, o Congresso voltou a ser gradeado – temia-se o que a esquerda poderia aprontar. Os organizadores estavam pessimistas. No melhor cenário, queriam no 30 de maio um ato maior que o de domingo passado, mas se contentariam com um empate. Contudo, em um vídeo provocativo, o ministro da Educação amanheceu a quinta-feira marcando um gol contra.
– Bola rolando Quando os primeiros militantes chegaram aos pontos de encontro, Abraham Weintraub já era o foco das redes sociais. Com a divisão esperada: governistas celebravam o bom humor, oposicionistas criticavam a falta de compostura.Mais uma #FakeNews. Agora, sobre o contingenciamento de verbas no Museu Nacional, do Rio de Janeiro. Descubra a verdade! pic.twitter.com/dPE520ndGR
— Abraham Weintraub (@AbrahamWeint) May 30, 2019
Ministro @AbrahamWeint sabe como destruir uma fakenews. Receita simples : a verdade e muiiiito bom humor. 😂☔️ pic.twitter.com/6a0msfq10h
— Joice Hasselmann (@joicehasselmann) May 30, 2019
A organização se preocupara em vender os atos de 15 de maio como uma manifestação espontânea e pluripartidária. O Antagonista acompanhou in loco o 30 de maio em Brasília. E comprovou que a fantasia havia sido rasgada. As ruas estavam aos cuidados da esquerda derrotada nas urnas de 2018. Com sindicalistas, MST, camisetas de Che Guevara e – para surpresa de ninguém – panfletos pela liberdade de Lula. No chão, Gilberto Carvalho cumprimentava grevistas. No palanque, a presidente do PT dizia não ter medo do presidente da República. – Gritos de guerra Os discursos prometiam uma “aula na rua“. Mas o tom era belicoso. Ora gritavam que a UnB não era balbúrdia, ora prometiam muita balbúrdia. Chamavam a atual gestão de “governo do demônio” e chegaram a queimar um boneco de Bolsonaro. Com a cavalaria posicionada, estudantes pediam o fim da Polícia Militar. No que o Batalhão de Trânsito recebeu vaias, um policial disparou spray de pimenta nos manifestantes. – Placar final O Antagonista flagrou uma policial reclamando que a manifestação era “coisa do PT”. Os vídeos entregaram o tamanho minguado do protesto. Em podcast exclusivo aos assinantes de O Antagonista+, Diego Amorim resumiu o dia. O Antagonista observou em editorial que o dia poderia ter sido mais tranquilo se o ministro da Educação não tivesse sacado mais uma provocação desnecessária.Sr. @AbrahamWeint, os estudantes não se calaram nem na Ditadura: não será um fanfarrão que sequer sabe distinguir um prato árabe do nome de um celebrado autor que os calará! https://t.co/Wurh5S4k0F
— Randolfe Rodrigues (@randolfeap) May 30, 2019
As manifestações de hoje contra o contingenciamento na Educação teriam recebido pouco destaque no noticiário se o ministro Abraham Weintraub não tivesse divulgado um vídeo no Twitter no qual diz: “Nós estamos aqui recebendo no MEC cartas e mensagens de muitos pais de alunos citando explicitamente que alguns professores, funcionários públicos, estão coagindo os alunos ou falando que eles serão punidos de alguma forma caso não participem das manifestações. Isso é ilegal, isso não pode acontecer.” Gene Kelly precisa de uma assessoria profissional com urgência. O Antagonista– Em uníssono Se os assinantes de O Antagonista+ ficaram divididos a respeito da marcha bolsonarista de 26 de maio, ficaram agora unidos contra o 30 de maio. No geral, o incômodo veio da forma como o discurso esquerdista norteou o protesto.
Isto acaba com as manifestações dos estudantes. Por isso que foram chamados de inocentes úteis. Luiz Vaz, sobre os panfletos com “Lula Livre”
Cardápio de Brasília: muitos sanduíches de mortadela. Luiz Carlos B. Fontes, sobre a falta de espontaneidade da manifestação
Se isto aí representa a juventude estudantil brasileira, pobre do Brasil. Marco Bettega, em resposta aos xingamentos que desferiam contra o presidente
Pelas reivindicações, se conhece a qualidade dos que as fazem. Rosa de Carvalho, sobre os gritos pelo fim da Polícia Militar
Por que não vejo bandeiras do Brasil em manifestação de esquerda? Igor Britto, em pergunta retórica
Menos cidades, menos estudantes, mais MST, CUT e assemelhados. Carmen Santerini, resumindo o dia
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)