MBL no alvo dos MAVs da esquerda e da direita
Uma conversa com Renan Santos sobre os ataques que o MBL e outros formadores de opinião andam sofrendo nas redes sociais.
Na semana que antecedeu a marcha de 26 de maio, militantes bolsonaristas infernizaram formadores de opinião como Janaina Paschoal, Lobão e o Movimento Brasil Livre. Também no foco dos ataques, Danilo Gentili alertou que postura tão intransigente findaria por isolar o governo. Dias depois, na TV, o humorista passou o assunto a limpo com o próprio presidente.
Jair Bolsonaro alegou não ter controle sobre as redes sociais. Não descartou que estivesse sendo vítima de uma trabalho de contrainformação esquerdista. Mas reconheceu que há radicalismo do próprio lado, ainda que o veja como um problema menor.
Um dos motivos que fez o PT perder o senso crítico é que a militância, principalmente em ambientes virtuais, era tão ferrenha que qualquer pessoa que fizesse um mínimo de crítica sofria assassinato de reputação coordenado. Eu percebo que isso pode estar começando acontecer do seu lado. Você não acha que isso pode estar sendo um tiro no pé? Danilo Gentili
Jair Bolsonaro alegou não ter controle sobre as redes sociais. Não descartou que estivesse sendo vítima de uma trabalho de contrainformação esquerdista. Mas reconheceu que há radicalismo do próprio lado, ainda que o veja como um problema menor.
Há pessoas que perdem a noção, partindo pro radicalismo. A gente vai continuar convivendo com isso. Eu defendo a internet 100% livre. Quem queria o controle social da mídia era o PT, não era eu. Jair BolsonaroAssim como Gentili, o MBL já encarou a militância virtual da esquerda e da direita. Num dos ataques mais pesados, foi acusado de receber financiamento partidário para trabalhar pelo impeachment de Dilma Rousseff. Um dos fundadores do movimento, Renan Santos viu no episódio uma clara orquestração da esquerda.
No momento em que saiu a matéria, a gente teve uma enxurrada de perfis no Facebook [nos] atacando. Aquilo foi um episódio nítido de mobilização de militantes virtuais. Houve muito fake, a gente bloqueou de 2 a 3 mil perfis. Renan Santos, MBLCom o PT na oposição, o MBL passou a ser alvo dos bolsonaristas, principalmente no Twitter e YouTube, mas também no WhatsApp e Facebook. Renan não tem dúvidas de que hoje enfrenta uma estrutura mais complexa.
A milícia do bolsonarismo é muito mais organizada. Porque eles têm grupos de Whatsapp divididos por estado, tem a rede de bots que levanta hashtag no Twitter, e no Youtube eles compram dislikes. Renan Santos, MBLSegundo Renan, o MBL consegue comprovar a compra de “descurtidas” no YouTube, uma vez que, com o tempo, os vídeos naturalmente perdem a negativação – a explicação viria da suspensão dos perfis falsos usados no ataque. Renan entende que os ataques da direita são mais intensos, pois sacam tanto um número maior de robôs, como também um número maior de usuários reais. Mas, na essência, são similares aos da esquerda.
Eu já recebi dossiês que foram feitos pela esquerda de pessoas da direita e vice-versa. Até por usarem os mesmos materiais e as mesmas narrativas, o aspecto ideológico é só uma máscara para justificar cada um o seu tipo de autoritarismo. Renan Santos, MBLO MBL perdeu um número significativo de seguidores por causa dos ataques recentes. Mas Renan avalia que a onda de solidariedade foi positiva ao movimento. Assim como Gentili, percebe a militância bolsonarista se isolando cada vez mais.
Quem está se isolando? A gente está tendo a solidariedade da direita, do centro, da própria imprensa, enquanto eles estão se isolando. É uma “vitória de Pirro” pros caras. Renan Santos, MBLO Comentarista voltará ao tema nas próximas edições, ouvindo também Janaina Paschoal, Lobão e especialistas no assunto.
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