A Huawei na nova Guerra Fria
Ao mesmo tempo em que a Huawei volta ao Brasil, o governo dos EUA aumenta a pressão contra a empresa e a China.
Após cinco anos oficialmente fora do mercado brasileiro de smartphones, a chinesa Huawei retornou ao país com dois novos modelos.
Uma promoção nesta sexta-feira (17) oferecia descontos no P30 Pro, cujo preço de tabela é R$ 5.499.
Ao mesmo tempo em que a Huawei volta ao Brasil, o governo dos Estados Unidos aumenta a pressão contra a empresa e a China, como parte de uma guerra comercial e tecnológica entre os dois países. Entenda.
– As restrições dos EUA contra a China

Nesta quarta (15), Donald Trump assinou uma ordem executiva dando autoridade ao Departamento de Comércio para bloquear transações envolvendo tecnologias de comunicação desenvolvidas por “empresas sujeitas à jurisdição de um adversário estrangeiro”.
Embora esse texto não mencione explicitamente a China ou a Huawei, a intenção é pavimentar o caminho para bloquear a empresa das redes 5G e outras infraestruturas americanas. A Huawei não é apenas fabricante de smartphones, mas uma das maiores fornecedoras mundiais de banda larga e serviços multimídia.
No mesmo dia, o Departamento de Comércio anunciou ter adicionado a Huawei e 70 de suas afiliadas à sua Lista de Entidades. Isso quer dizer que empresas americanas que queiram exportar tecnologia, produtos e serviços para a Huawei vão precisar de uma licença especial para fazê-lo. A regulamentação completa deve sair até 12 de outubro.
Entre as principais fornecedoras americanas da Huawei estão a Analog Devices, a Microsoft e a Oracle.
Para evitar complicações legais, muitas empresas americanas – especialmente as pequenas e médias, com menos recursos para contratar advogados – podem preferir evitar trabalhar com a China.
– O racha no PSL

Em janeiro, antes da posse no Congresso, uma comitiva de parlamentares-eleitos do PSL viajou à China a convite do governo chinês. A ideia era conhecer tecnologias de reconhecimento facial.
A viagem foi criticada por Olavo de Carvalho. “Instalar esse sistema nos aeroportos brasileiros é entregar ao governo chinês as informações sobre todo mundo que mora no Brasil”, afirmou Olavo, em vídeo intitulado ‘Urgente e gravíssimo’. “Inclusive e especialmente alguns refugiados chineses”.
Por preocupação com cibersegurança, muitos países ocidentais restringiram o acesso da Huawei a seus mercados. Já em agosto de 2018, Trump assinou ordem executiva proibindo o governo americano de usar equipamento da empresa.
– A Huawei no Brasil

A viagem de deputados do PSL não foi o primeiro contato entre a Huawei e o Brasil.
Em novembro de 2013, ainda no primeiro governo Dilma, o vice-presidente Temer participou da cerimônia de assinatura de um memorando de entendimento entre a Universidade de Pequim e a Huawei, com objetivo de ar apoio ao Núcleo de Estudos Brasileiros da universidade.
(AI)Assinatura de Memorandos entre a Universidade de Pequim e a Huawei para apoio do Núcleo de Estudos Brasileiros. pic.twitter.com/H0J7yppLlb
— Michel Temer (@MichelTemer) November 8, 2013
No ano seguinte, foi a vez de Xi Jinping visitar Brasília. A declaração conjunta do encontro menciona a Huawei duas vezes: “Acordo de Cooperação Técnica e Estratégica entre a Huawei, o Badesul Desenvolvimento e Procergs” e “Protocolo de intenção sobre a cooperação de computação em nuvem entre o MCTI e a Huawei Technologies Co. Ltd”.
Ou seja, ao contrário de Trump, o governo Dilma não via problemas em utilizar a tecnologia chinesa.
Uma pesquisa feita por O Antagonista no Diário Oficial mostrou que, ao longo de 2018, servidores de áreas estratégicas do governo Michel Temer foram convidados pela Huawei para visitas e até treinamentos no Centro de Desenvolvimento da empresa, como no caso de servidores de TI da Caixa Econômica Federal.
– O futuro do 5G

Em fevereiro deste ano, a Anatel anunciou que o leilão das faixas de transmissão de 5G será no primeiro trimestre de 2020. É altamente provável que a Huawei seja uma das concorrentes.
O professor Milo Jones, especialista em geopolítica, já afirmou que “a Huawei, assim como todas as empresas chinesas, é no fim das contas um braço do Partido Comunista da China”.
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